Terça-feira, 31 de Março de 2020
TEMA

Garantido abre o Festival de Parintins mostrando as lutas do povo

Lenda Amazônica “O Curupira, Sete Espíritos, retratando o imaginário dos índios Tembé Tenetehara, promete ser um dos pontos altos da noite encarnada



ACE_EQ.-1328_944C09C0-4964-4F15-8F8B-86A6E20F59D3.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
28/06/2019 às 15:41

A Associação Folclórica Boi-bumbá Garantido vai exaltar as lutas, as alegrias e a liberdade do povo brasileiro nas três noites de apresentação do tema “Nós, o Povo”, onde vai tentar o campeonato do 54º Festival Folclórico de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus).

Na primeira noite, onde abre o Festival, o Garantido traz o subtema “O Boi das Lutas do Povo”. “É a chegada a hora de fazer o Brasil inteiro e o mundo balançar em nome da cultura, de ser cardume das invenções e da amorosidade espalhadas nesta Terra conjungada em tantas línguas. É chegada a hora de fazer a celebração acontecer. Do povo de luta ir à festa da vitória cotidiana. Sim, é preciso ter mais pratos à mesa porque muitos virão, sob o som do sonho de liberdade, saborear as iguarias  do povo participante. A festa afaga a luta do povo há muito tempo , traduz a festa que tem nome e cor: Garantido”, destaca a associação folclórica em seu material de divulgação.  



Na abertura, o Garantido vem mostrando que está disposto a lutar pelo título. Ele  concorrerá com a Lenda Amazônica “O Curupira, Sete Espíritos, retratando o imaginário dos índios Tembé Tenetehara, que habitam o Maranhão e o Pará e se autodenominam “Povo Verdadeiro”.  Uma das lendas indígenas mais antigas, remonta à Amazônia pré-colombiana e tem origem nos índios Nawa, que habitavam o Vale do Juruá, no Acre. Descrito como um menino do cabelo de fogo e pés para trás, o Curupira é um espírito que se transforma em gigante para proteger a natureza. Incorporado em seis outros espíritos, o da onça, do gavião, do jacuraru, do camaleão, da cobra e da própria Mãe Natureza, ele protege a fauna e a flora dos ataques de caçadores e predadores.

 A alegoria que vai mostrar toda essa história é do artista de ponta Roberto Reis e equipe, e é uma das mais esperadas deste Festival: ela virá com 19 metros de altura, 44,8m de boca de cena e oito módulos, com participação de 60 dançarinos do Grupo Porantins, da cidade de Maués. A toada “Sete Espíritos”, do compositor Adriano Aguiar, vai embalar a teatralização do momento. Podem apostar no fantástico.

Na Celebração Folclórica, o Boi trará a “Aldeia Cultural” onde, de lutas e confrontos, a Amazônia renasce numa grande aldeia da diversidade cultural humana, onde repousam nossa ancestralidade , nossas origens, nossos costumes, formas, espíritos, corpos, saberes e fazeres. O Garantido quer mostrar que a Amazônia se tornou uma grande Aldeia Cultural de Índios, negros, brancos, orientais, europeus, africanos, árabes, judeus, mestiços de toda sorte. Será a hora de celebrar a comunhão de todos que aqui chegaram e que, de alguma forma, deram sua contribuição para a formação social e cultural da região.

“O Juteiro” será o personagem da Figura Típica Regional. Ele vai representar a transfiguração do koutakusei, imigrante japonês que veio para a Amazônia e se transformou no caboclo plantador de juta. Figura tipicamente amazônica, o juteiro surge com a instalação na região do Instituto de Agronomia  do Japão, no governo de Getúlio Vargas. Os koutakusei chegaram em Parintins  em 1931 e iniciaram o plantio da juta trazida da Índia na Vila Amazônia. Ryota Oyama fez germinar as primeiras sementes e ficou clonhecido como “Pai da Juta”. A toada “Povo de Fibra!, de Geandro Pantoja, Demétrios Haidos e Jacinto Rebelo,  reflete a força que a saga japonesa representou na formação do biótipo regional do juteiro da Amazônia.  

A apresentação da primeira noite do Garantido vai finalizar com o grandioso ritual “Kawahiwa”, na batalha dos habitantes do rio Tapajós contra a mã sorte, ou “panema”. O momento marcará a estreia do novo pajé do boi, Adriano Paketá. No ritual, o pajé transcende ao mundo ancestral  da Amazônia paleolítica dos grandes animais e feras devoradoras de gente , num ambiente de seres míticos fantásticos.      

Repórter de A Crítica

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