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Parintins
NOITE VERMELHA

Garantido abre última noite de festival apostando na ‘Consciência e Resistência’

Boi da Baixa do São José apresenta últimas ações do projeto de 2018 “Auto da Resistência Cultural” 01/07/2018 às 14:50
Show garantido
Foto: Márcio Silva
Laynna Feitoza Parintins (AM)

O tema “Consciência e Resistência” é o que rege a terceira noite do boi Garantido em seu último dia de apresentações no Bumbódromo de Parintins. A Celebração Folclórica, primeiro ato do bumbá vermelho e branco, traz o subtema “Consciência e Tradição Cultural”, em uma alegoria com quatro módulos. A alegoria, carregada pela tradição de Lindolfo Monteverde, traz uma estrutura que reflete as festas de São João do Mês de junho, com confetes coloridos, corações vestidos com coroas, o Boi Garantido ao centro e pequenas esculturas que remetem às diversas manifestações artísticas, como o frevo e o Carnaval.

Já o segundo item a ser avaliado na noite é a “Lenda Amazônica”, que traz o gigante Juma nas representações. Juma é uma lenda da etnia Cawahiva, do tronco Tupi-Guarani, que saiu do Rio Tapajó, por causa de guerras intertribais, e que se dispersou pelo Rio Madeira. A alegoria possui quatro módulos e ostenta no módulo principal o próprio Juma, que é um homem-macaco que vive pelas matas e, antigamente, assombrava os povos da floresta. Acima de Juma, uma água guarda o homem-macaco sobrevoando ele. Na alegoria também há árvores, símbolo no qual Juma se transmuta antes de se revelar o monstro maldoso com aqueles que fazem mal à floresta.

A terceira alegoria corresponde ao ato da Celebração Indígena chamada Poracê. Trata-se de uma festa feita pelos indígenas para comemorar o nascimento, o sucesso de uma pessoa na caça ou na pesca, a vitória nas guerras e até mesmo a morte como passagem para uma nova vida. A alegoria com sete módulos, que homenageiam o líder indígena Kayabu, e o tuxaua e pajé Prepori, que vem representado no módulo central da estrutura alegórica. O pajé Prepori teve influência fundamental no convencimento dos demais líderes indígenas sobre a necessidade da mudança para o Xingu, pois do contrário teriam sido dizimados pelos interesses governamentais em explorar as reservas minerais de suas terras de origem.

Como Figura Típica Regional virá o Seringueiro da Amazônia, em uma alegoria colorida com três módulos. No módulo central há uma caricatura gigante do acreano Chico Mendes, seringueiro e ativista que foi assassinado por defender os interesses da floresta e dos seus povos. Na parte inferior do módulo é possível ver um campo formado por copas de árvores, e acima delas existe a cúpula do Teatro Amazonas, como uma espécie de símbolo do trabalho dos seringueiros, retratando o fértil período da borracha. Os módulos menores trazem estruturas que simulam os seringueiros esculpindo a borracha. Também se nota figuras do Nordeste que representam danças como o cacetinho, ciranda, xaxado, e o bumba-meu-boi, que mais tarde fez nascer o boi-bumbá.

Por fim, vem o Ritual Indígena, o último item a ser avaliado na última noite de festival do boi Garantido. O ritual é bastante emblemático e é realizado pelas etnias da área cultural do Alto Xingu. Mavutsinim, primeiro pajé e herói mítico do povo xinguano, quis reviver seus mortos e, em uma noite de lua cheia, tentou ressuscitá-los em um dos troncos da árvore Kuarup, pintados e enfeitados como se fossem gente, com penachos coloridos e de algodão. A partir da caracterização das árvores, durante o ritual, aos poucos, os troncos se transformavam nos corpos dos índios mortos. A alegoria traz estruturas de indígenas com onças e falcões na cabeça, soprando as flautas de ressurreição dos mortos indígenas.

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