Publicidade
Parintins
Noite final

'Garantido fecha com o sentimento de que vai ser campeão', diz presidente

"Tivemos um grande aperreio para trazer os nossos tecidos para a finalização das nossas alegorias", contou o vice-presidente do boi, Messias Albuquerque 02/07/2018 às 01:25 - Atualizado em 02/07/2018 às 01:27
Show garan
Foto: Euzivaldo Queiroz
Laynna Feitoza Parintins (AM)

A terceira noite do boi Garantido trouxe o tema “Consciência e Resistência” para a arena do Bumbódromo de Parintins no 53º Festival Folclórico. A noite foi de grandes aparições para a galera: primeiro foi o apresentador Israel Paulain que chegou, erguido de dentro de um gigante coração, ao público, e com o próprio boi-bumbá, que chegou a ir na galera agitar a todos, fazendo valer a sua identidade de “boi do povão”.

Para o presidente do boi, Fábio Cardoso, o Garantido fez três belíssimos espetáculos. “O Garantido cumpriu fielmente o que foi planejado pela comissão de artes, e hoje fecha com chave de ouro e com o sentimento de que vai ser campeão do festival. O boi empolgou do início ao fim. Ontem foi sensacional, hoje superou, e todos nós somos apaixonados pelo Garantido, com fé de que vamos gritar ‘é campeão’ amanhã”, declarou ele.

O vice-presidente do bumbá, Messias Albuquerque, afirmou que o Touro Branco veio forte para encerrar o festival. “O Garantido emocionou desde a entrada. Foi um momento maravilhoso o ritual. Foi um ritual de superação. Terminamos com esse momento apoteótico, lindo e maravilhoso. Só nós sabemos os contratempos que aconteceram para colocar esse projeto na arena”, destacou Messias.

Dos contratempos ocorridos, Messias cita o atraso na entrega das fantasias e tecidos das alegorias, que foram encomendados de São Paulo. “A greve dos caminhoneiros impediu que as fantasias chegassem. Todas ficaram presas em São Paulo. Tivemos um grande aperreio para trazer os nossos tecidos para a finalização das nossas alegorias. Tivemos que fazer uma operação aérea para trazer os tecidos de São Paulo até Manaus, e depois para Parintins. Finalizamos nossas alegorias hoje à tarde com muita emoção mesmo. Só o Garantido consegue fazer isso”, ponderou ele.

Evolução

O boi Garantido fez a sua primeira aparição para o público em um guidaste que o colocava de frente para a arena. A primeira alegoria veio trazendo a Lenda Amazônica Juma, uma mistura de homem e macaco que é conhecido por ser o guardião da floresta. O ser mítico frequentemente toma a forma de árvore para depois revelar sua identidade. Enquanto a alegoria desenvolvia, capatazes guerreavam com os indígenas, conseguindo encurralá-los. Para defender os indígenas, Juma lançou nos capatazes um feitiço, que os fez agonizar no chão.

O levantador Sebastião Júnior aproveitou para mostrar todos os seus talentos artísticos durante a avaliação do item Toada Letra e Música. Na arena, ele tocou piano ao na música “Eu sou a Toada”, enquanto uma imagem de Garantido gigante fazia o pano de fundo da apresentação. Durante o momento, o boi Garantido fazia movimentos suaves, como quem tivesse sendo acalentado pela música.

O momento da Figura Típica Regional trouxe a alegoria “O Seringueiro da Amazônia, trazendo a imagem de Chico Mendes, ativista acreano assassinado por ter defendido os direitos da floresta. A alegoria trazia a imagem do Teatro Amazonas sobre uma copa de árvores, representando o ciclo da borracha. A sinhazinha da fazenda, Djidja Cardoso, surgiu em meio a copa das árvores. Canoas apareceram “nadando” na superfície da arena e a mesma alegoria também trouxe a evolução da rainha do folclore, Brenda Beltrão. O guindaste que trazia a item desceu rápido demais, mas nenhum imprevisto aconteceu.

Um grupo com tambores e atabaques fez a introdução para o momento das tribos indígenas na arena. Com o pajé André Nascimento e a cunhã-poranga Isabelle Nogueira conduzindo as tribos, estas traziam cobras nadando ao redor dos itens oficiais. Em outro momento de apresentações, as tirbos indígenas impressionaram ao lançar um índio montado em um tronco de árvore de um lado para o outro na arena, sem perder o equilíbrio.

A última alegora trouxe o ritual Kuarup. A maior alegoria da noite, que preencheu toda a largura da arena, mostrava uma festa que os índios faziam para reviver os mortos. Para isso, eles enfeitavam com pinturas e adornos os troncos de árvore, incluindo fios de algodão e penachos coloridos. Durante o ritual, os troncos de árvore se transmutavam no corpo dos indígenas, trazendo-os de volta a vida. Durante o ritual, cobras e camaleões saíam de ocas em movimentos fidedignos. Águias e pinturas sobre os troncos se mexiam.

 

 

 

 

 

 

Publicidade
Publicidade