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Parintins
FORA PRECONCEITO

Irreverência, cultura LGBT e muitas cores agitam 14ª edição do Boi Boiola

Itens e mensagens de militância LGBT foram destaques da edição deste ano da festa do Boi Boiola 24/06/2018 às 10:03 - Atualizado em 24/06/2018 às 12:57
Isabella Pina Manaus (AM)

São 14 anos de tradição. Desde uma pequena reunião de amigos, até virar enorme movimento. O Boi Boiola conseguiu, ao longo dos anos de militância e irreverência, conquistar os parintinenses e visitantes da Ilha.

Na noite deste sábado (23), no estacionamento do Porto de Parintins, dezenas de pessoas foram prestigiar a festa que carrega o lema “Resistência Cultural no Salto e na Caça à Anaconda Ancestral”, inspirado na temática dos bois Caprichoso e Garantido. Com boa dose de bom humor e ironia.

A festa, para quem está acostumado com apenas azul e vermelho, é surpresa. Uma explosão de cores é que toma conta do Porto. As atrações e tudo ao redor traz à tona toda a cultura LGBT. Com cerca da bandeira da categoria, o começo da “grelhação” foi embalado por clássicos da cultura Gay e dos anos 90.

O início do auto é de arrepiar. E gargalhar, principalmente. Impossível ser passivo às coreografias convidativas e à toada principal do ano. A amo do boi atiça, brinca com a calcinha e provoca a torcida, enquanto o apresentador toma posse para fazer discurso militante à igualdade de gênero e causa.

Nota importante para quem é familiar com a épica série Rupaul’s Drag Race, não há, sequer um, dançarino (a) que não se destaque. Com saltos e acrobacias, os indígenas são espetáculo à parte na abertura.

Tudo ornamenta perfeitamente com a proposta do boi. A exposição e, principalmente, representação da comunidade gay.

E aí, quem ganha espaço, mesmo, são os itens. Inspirado no auto do boi, o Boiola tem cunhã-poranga, sinhazinha, rainha do folclore, porta-estandarte, Catirina e musa. Segue toda a temática. E todas são embaladas pela voz marcante de Thalles Godinho.

Ele impõe a voz e, com muita dose de humor, extravasa as famosas paródias que deram a fama ao boi. Com cunho, na maioria das vezes, sensual, e linguagem que faz parte da comunidade LGBT, arranca risadas entre um canto e outro.

A apresentação, muito bem orquestrada, coloca os itens em destaque entre uma performance ou outra. Mas, o ponto alto, mesmo, foi o rito de passagem de uma cunhã para outra. Suzy Sullivan, que ocupou o cargo por quatro anos, entregou o “serviço” para Anne Mai Kelly, que costumava ser rainha do folclore.

“Eu cheguei ao máximo que podia chegar. Eu fui cunhã por quatro longos anos. Fui muito feliz, e entrego o cargo mais do que satisfeita e orgulhosa. Ela (Anne) é incrível. Agora é a hora de me aposentar” contou Suzy.

“Nós brincamos de boi. Conscientizamos com leveza. A festa é para todos. Temos um público hétero grande, que se uniu a nós nessa grande festa. É tudo pela diversão” conta Tarcísio Gonzaga, presidente do Boi.

A festa, que começou por volta das 1h30 do sábado, se estendeu por toda a noite. É o lugar e opção que todos escolhem quando encerram os ensaios dos bois principais da cidade.

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