Sábado, 20 de Julho de 2019
REVELAÇÃO

Líder indígena Davi Kopenawa vai participar da apresentação do Caprichoso

Um dos nomes mais importantes do mundo na luta pela Amazônia e pelos povos indígenas, o xamã Yanomami chegou a Parintins na noite desta terça-feira



WhatsApp_Image_2019-06-25_at_21.05.55_A70ED313-DEE2-4FF8-99D1-7631AF164A8E.jpeg (Foto: Euzivaldo Queiroz)
25/06/2019 às 21:50

Para trabalhar a narrativa de ‘Um Canto de Esperança para Mátria Brasilis’ nas três noites do Festival Folclórico de Parintins, o Caprichoso terá um reforço de peso. Davi Kopenawa, um dos maiores líderes indígenas do mundo, vai participar das apresentações do Touro Negro e levar, à Arena do Bumbódromo, seu grito de preservação da Amazônia que ecoa pelo mundo. 

Xamã, líder político dos yanomami e escritor, Kopenawa chegou na noite desta terça-feira e está em Parintins pela segunda vez. A primeira, há 19 anos, foi durante a Marcha Indígena 2000, realizada por mais de 2 mil indígenas de 200 etnias, para contestar a versão de que os portugueses descobriram o Brasil. Hoje, ele traz para a Ilha Tupinambarana a bagagem de quem dedica a vida para alertar sobre os riscos e ameaças à Amazônia e a seus povos nativos.  “Isso aqui representa a preservação da Amazônia e dos povos indígenas. Vou levar esse discurso”, afirmou Kopenawa, despistando sobre a apresentação. “É a primeira vez que vou participar, ainda vou ver como vai ser”.

O líder indígena, que menos de dois meses atrás esteve em Harvard, nos Estados Unidos, onde destacou que o futuro da Amazônia estava em perigo, disse que vai fazer da sua passagem pelo Festival de Parintins aquilo que faz todos os dias. “Quem não conhece a Floresta Amazônica? Todos conhecem, mas a realidade, não. Eles não tem experiência em preservar . Nós, povos indígenas, já sabíamos faz tempo. E nós precisamos levar isso para outros povos, para todos. É isso que eu faço”, ressaltou ele, que vai se apresentar no festival que terá a visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que já criticou o que ele chama de “excesso de demarcações” de terras indígenas. 

Contemplando a arte

Enquanto passeava pelas alegorias do Caprichoso, uma em especial chamou a atenção do líder indígena: a do ritual Waya-Toré, do artista Kenedy Prata. “Tem uma onça ali, os curumins embaixo...e debaixo da onça tem uma mulher, né?. Era a expressão que os torcedores dos bumbás sentem ao ver as alegorias se revelando na arena do Bumbódromo vivida de maneira antecipada. “Você fica aqui imaginando como que vão preparar isso para representar outras pessoas. É uma arte muito bonita”. 

Esse encontro entre Kopenawa e a arte do Caprichoso poderia ter acontecido antes. Ano passado ele foi convidado, mas não pôde aceitar. “Tinha outros compromissos, outras viagens. Mas desta vez deu certo. Eles mandaram o convite explicando direitinho como seria e eu aceitei”. 

Pelo jeito, Kopenawa já sabe o que fará. O público, só deve conhecer em uma das três noites do Festival de Parintins. Há, apenas, uma certeza: a fusão da arte cabocla com o grito de preservação da Amazônia estará bem representado.

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