Domingo, 21 de Julho de 2019
Evolução

Exaltando as lendas femininas, Caprichoso fecha terceira noite do festival

A apresentação do touro negro da América teve a duração de 2h27 e levou à arena do Bumbódromo o tema "O Brasil que a gente quer reinventar"



IMG_9423_F1695CCE-AC4F-4958-894D-C5F1F5DEB604.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
01/07/2019 às 02:54

Com simplicidade, alegorias em bom acabamento e muitas cores neon, o boi Caprichoso finalizou a terceira noite do 54º Festival Folclórico de Parintins. A apresentação do touro negro da América teve a duração de 2h27 e levou à arena do Bumbódromo o tema "O Brasil que a gente quer reinventar", retratando as mazelas sociais e multiétnicas e a dualidade entre dureza e doçura, as injustiças e o progresso.

O Caprichoso abriu sua apresentação com uma estátua do Cristo Redentor, que tinha um mapa do Brasil pintado no peito. Aos poucos, foram se revelando na luz neon pinturas de animais da fauna amazônica, como araras e onças, na imagem. A pluralidade cultural foi realçada por meio da música "Deus Lhe Pague", de Chico Buarque, que foi cantada na arena.

Logo após, a música "Nos Bailes da Vida", de Milton Nascimento, foi cantada. Depois, o mapa se abriu e o Caprichoso surgiu de dentro do módulo. Ao fechar, apareceu misteriosamente uma estrela colada no mapa. No solo, os grupos folclóricos encenavam cangaceiros e cirandeiros. Momentos depois, entrou na arena a alegoria "A Cabocla Lavadeira", que formava uma igreja e representava famílias ribeirinhas e suas mães. Momentos depois, a toada "Matriarca" ecoou pela arena nas vozes de Mara Lima e do levantador Davi Assayag.

Ainda na alegoria, as árvores vieram adornadas por bailarinas do grupo folclórico, que performaram com asas de borboleta. Logo após, as portas da igreja se abriram e revelaram a porta-estandarte, Marcela Marialva. Após a evolução do item, o pai Francisco e Mãe Catirina hastearam com balões brancos ao céu uma faixa com os dizeres "Paz no Brasil". No próximo ato, a vaqueirada azul homenageou importantes personalidades femininas do Amazonas, que tiveram suas imagens impressas nos estandartes. Entre elas estava Cristina Calderaro Corrêa, presidente da Rede Calderaro de Comunicação.

A segunda alegoria da noite foi "Mestras do Saber Popular". A toada "Deus é Maria" embalou o cenário formado por mulheres que representavam todas as "marias" do Brasil. O conjunto alegórico falava sobre as caboclas lavadeiras que, equanto lavam e secam roupas, ensinadas por suas mães e avós, entoavam cantigas em oração, em maneira de repassar com doçura a tradição familiar. A alegoria tinha 7 módulos, sendo a Virgem Maria no módulo principal e as demais "marias" expressas nas mais diversas raças, religiões e classes sociais.

A alegoria "Teoká, Terra Tirada" foi o pano de fundo para a apresentação das tribos do Caprichoso, que evoluíram sob a toada "Mátria". Logo depois, sucedeu-se o item "Lenda Amazônica" com a alegoria "Caximarro: As Três Guerreiras", que conta a história de três índias que feriram o resguardo da puberdade, considerado um período sagrado, cuja proibição principal envolve o banho de rio.

As três índias, ao desobedecerem o resguardo, despertaram a ira dos maus espíritos, sendo açoitadas por pelos pajés da tribo e jogadas no rio. As três índias acabaram virando três pedras grandes, que podem ser vistas no rio Uaupes, localizado na cidade de São Gabriel da Cachoeira. A alegoria trouxe a imagem das três índias petrificadas, com um camaleão monstro módulo central. De cima dele saiu a cunhã poranga Marciele Albuquerque, que evoluiu na arena com um cetro que, durante sua dança, jorrou faíscas de fogo.

A alegoria Dinahí fala sobre a história de uma índia guerreira que derrotou os índios Mura e que, por conta disso, quase foi morta por seus irmãos, que tentaram matá-la por terem inveja de sua força. Ela teve que se defender, em uma emboscada, matando-os. Por conta disso, um tuxaua mandou aprisioná-la na mata e depois jogar seu corpo no rio, o que a fez virar um ser encantado chamado Dinahí, uma serpente rainha e protetora das águas.

Na arena, a alegoria fez um apelo à consciência ambiental, uma vez que os botos menores que circulavam a serpente vieram carregados de lixo em seu interior. A serpente tinha cabeça humana "engolida" por uma cobra, e seu corpo era metade mulher, metade animal peçonhento. De dentro do peito da serpente, veio a rainha do folclore, Cleise Simas, que evoluiu com passos de dança simulando estar "nadando" para fora do peito da serpente.

Por fim, a alegoria "Enawenê-Nawê" abordou a cerimônia Yâkwa, onde os índios oferendavam mel, sal e muitos peixes por quatro meses, em meio a cantos e danças. A grande alegoria foi uma plena representação de uma tribo, com mini ocas espalhadas por suas extremidades, carregando dançarinos interpretando os indígenas preparando a oferenda.

Elevado na cabeça de uma cobra, o pajé Neto Simões fez a sua evolução, coordenando os indígenas na execução da oferenda. Ao alcançar o solo, ele dançou a toada "Waia Toré" junto às tribos indígenas. Ao final de sua apresentação, o boi Caprichoso, enquanto acontecia a despedida de todos os seus itens na arena, trouxe todos os grupos folclóricos do boi para o espaço, de modo a valorizar o trabalho dos artistas.

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