Domingo, 15 de Dezembro de 2019
PERSPECTIVA

O Festival visto de cima: trabalhadores têm outra visão do espetáculo

Técnicos de iluminação que atuam no Bumbódromo trabalham em estrutura com 23 metros de altura e enxergam o festival de maneira peculiar



_ASL7958_2C422019-068A-4047-891D-C1E6159C38B7.JPG (Foto: Antônio Lima)
29/06/2019 às 12:06

No maior teatro a céu aberto da América Latina, os torcedores dos bois  Caprichoso e Garantido são acostumados a olhar para o alto esperando surpresas dos seus bois, e a pedir ajuda do céu para a conquista do título do Festival de Parintins. No entanto, para outras pessoas, o espetáculo dos bois é visto numa perspectiva de cima para baixo, literalmente. São os técnicos de iluminação que ficam posicionados na gigantesca estrutura metálica existente sobre o Bumbódromo justamente a 23 metros do chão e inaugurada em 2013.

Os equipamentos de som e iluminação estão montados em uma estrutura metálica suspensa a 23 metros e, apesar da altura, oferece acessibilidade aos operadores desses equipamentos. Curiosamente, a armação metálica lembra a cabeça de um boi (a exemplo do próprio Bumbódromo)



Há cinco anos a empresa responsável por fazer o sistema de iluminação é a EcoArt Iluminação. Segundo o empresário Nei Marinho, proprietário da empresa, a mesma existe há 10 anos e vem a cada ano tentando inovar nesse mercado de iluminação.

“Graças a Deus já conseguimos inovar bastante coisa no Festival. Este é o quinto ano que estamos em Parintins e a cada ano que passa graças a Deus tentamos trazer o que há de melhor de equipamentos no mundo. Temos dois sistemas muito bons que são utilizados aqui no Bumbódromo de Parintins que são o movie lights (luzes móveis) – e utilizados em grandes festivais do mundo inteiro -  e o de lâmpada par, quente, que praticamente a televisão usa para uso de fotografia, e o de mesa que é o sistema da MA que facilita muito a vida dos técnicos em relação a programação e muitas coisas para este Festival de Parintins, que é muito grande e onde utilizamos muitos equipamentos que requer um certo cuidado no tempo de programação pois qualquer botãozinho errado que for apertado gera uma cor errada e um problemaço. Graças a Deus montamos esse sistema todo em mais ou menos dez dias e é muito bacana pois quando se monta a coisa começa a acontecer, a funcionar,e por ser o quinto ano, os bois e o Governo do Estado sempre saem muito bem satisfeitos com o nosso trabalho”, explica Marinho.        

Na primeira vez que vieram a Parintins, diz ele, de cara houve a surpresa dos 23 metros de altura da estrutura. “Não é qualquer aparelho nem lâmpada que vai chegar até aqui embaixo. Tem a questão da potência, da temperatura de cor, ‘n’ coisas. Temos que trabalhar com equipamentos potentes, com uma qualidade legal, um brilho muito bom, já que aqui é transmitido ao vivo. E ainda tem a questão da chuva e da umidade. Se você perceber, quase todos os movie lights têm uma capa na lateral deles para poder o espetáculo continuar acontecendo sem problema nenhum”,

O equipamento utilizado na estrutura metálica tem, entre outros equipamentos, 600 lâmpadas de 1000 watts, gerando 600 mil watts, o que pode manter até mesmo uma cidade.

“A carga que utilizamos dentro do Festival de  Parintins é suficiente para energizar uma cidade de 30 mil habitantes tranquilamente”, afirma Nei Marinho.

Trabalhar numa estrutura metálica como a do Bumbódromo é sem igual até para esses operários. “Trabalhar nessa estrutura é sem igual, é única no mundo, e com a cabeça de um boi. Ela está há 23 metros de altura do chão. É muito alto, muita coisa”, destaca, ressaltando que todas as medidas de segurança são tomadas e os equipamentos de segurança utilizados nas ações na estrutura. “Isso é padrão: todos os nossos funcionários têm todos os cursos de altura, bem como os eletricistas tem o NR10. São todos amparados, inclusive com botas, cintos, mosquetão. Ou seja, todos os aparatos para as seguranças deles. Todos os anos, antes de Parintins, é feita uma reciclagem de pelo menos 15 dias antes, e treinamentos de primeiros socorros e cursos. Buscamos sempre a segurança”, conta Marinho, que tem em Parintins um total de 25 pessoas trabalhando na operacionalização. Mas, na hora da apresentação dos bois são 16 pessoas, sendo 8 em cima da estrutura, quatro canhoneiros e quatro cuidando do sistema. Já a operacionalização no momento em que os bois se apresentam é por conta das próprias associações folclóricas, próximo à mesa de som e entre a arquibancada central de Garantido e Caprichoso.    

Mesmo sendo do ramo, e tomadas todas as medidas de segurança, Nei Marinho diz que a sensação para quem trabalha na estrutura, e não gosta de altura, é péssima: “Como eu principalmente. Já subi, é bastante alto. Quando você trabalha acima de 4 a 5 metros de altura já começa a ficar perigoso, e quando são 23 metros é preciso ter uma atenção redobrada, tanto no seu trabalho, quanto na sua vida”.

Ele destaca que suas expectativas para este 54º Festival de Parintins são as melhores possíveis. “Nós trouxemos o melhor que temos de equipamento, o melhor de cinco anos pra cá pro Festival, e com certeza deve ser um grande evento. Isso também muito dos programadores dos dois bois. Aí, isso é com eles. Nós só entregamos o sistema funcionando e eles que fazem o show”, ressalta.

Repórter de A Crítica

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