Terça-feira, 11 de Agosto de 2020
DUELO

Ozéas Bentes é a experiência a favor do Garantido no Ritual Mura

Com 30 anos de 'casa,' Bentes é o artista de ponta responsável pelo Ritual 'Muraida, o Triunfo da Flecha', uma das atrações do vermelho e branco para esta segunda noite



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29/06/2019 às 17:52

São mais de 30 anos de experiência a serviço do Festival Folclórico de Parintins. Estamos falando do parintinense da gema Ozéas Bentes, 56, que traduz toda a sua genialidade em alegorias fantásticas que emocionam os amantes principalmente do Boi Garantido, associação folclórica na qual começou a mostrar seu talento. Neste ano, ele é o artista de ponta responsável pelo Ritual “Muraida, o Triunfo da Flecha”, que será uma das atrações do vermelho e branco para esta segunda noite de disputa na Ilha Tupinambarana.   

Na sinopse divulgada pelo boi, o militar português, demarcador de terras na Amazônia e poeta Henrique João Wilkens exaltou os feitos lusitanos nos confrontos com os índios Mura na obra “Muhuraida, o Triunfo da Fé”. Em contraponto à obra de Wilkens, o Ritual “Muraida, o Triunfo da Flecha” recria o rito de murificação no qual os Mura iniciavam guerreiros para combater os portugueses, exaltando a coragem dos índios.



No ritual, os índios remanescentes de outras tribos, negros e caboclos eram murificados, formando uma tribo muito diversa e poderosa. O Pajé invocava os espíritos de feras da floresta para serem incorporados nos guerreiros. Os Mura dominavam a área do rio Madeira com muita coragem e ferocidade, aterrorizando os portugueses. Apesar da superioridade do arsenal bélico português, os Mura jamais se renderam e a saída foi um acordo de pacificação entre índios e europeus.

“Essa alegoria é bem enfatizada dentro da toada, que fala dos hábitos dos Mura. Eu trabalho muito em cima da música, e tudo que ela fala está neste ritual, como o espírito das feras, dos Mura que são guerreiros remadores, etc. Toda a cênica vai haver na alegoria com estrutura robótica. Eu não coloca um detalhe que não haja na toada. Um dos materiais utilizados são a folha de caranaí, que caracteriza a alegoria de ritual e da qual os próprios índios utilizam para fazer as suas ocas, malocas”, diz Ozéas, destacando a importância dos movimentos alegóricos na sua estrutura.

“A beleza do nosso Festival, hoje, são os movimentos. A plástica tem que estar ali, todo tempo, ma a beleza dela é firmada. No entanto, os movimentos, os efeitos, têm que ter leveza. Movimento já fala tudo, e causa harmonia”, frisa o parintinense. “É uma alegoria bem exótica dentro desse ritual”, completa ele, que, chefiando uma equipe de 17 pessoas,  demorou mais de três meses na confeccção da estrutura.

A peça central da alegoria vai trazer um ser gigantesco: um guerreiro Mura transformado em um espírito das feras. “Tudo em uma alegoria dá trabalho, mas o mais trabalhoso sempre é a peça central, que exige mais altura, mais estrutura”, reforça o artista.

AUTODIDATA

O experiente artista é autodidata assim como outros grandes profissionais de Parintins que aprimoram seu dom. “Temos esse dom e essa capacidade naturalmente devido à dimensão artística que a cidade tem. Parintins começou a ter essa dimensão artística por causa do Festival e pelo (padre italiano) Irmão Miguel de Pascalle, que já é falecido e do qual eu também fui aluno. Esse desenvolvimento do Festival como escola é coisa, também, do próprio Jair Mendes que até hoje trabalha com arte e é uma inspiração fundamental para todos os artistas. E seguimos essa linha naturalmente, essa inspiração própria. Posso dizer que essa é a minha formação e vamos amadurecendo”, explica o artista, que além do boi também tem experiência pelo Carnaval de Manaus e São Paulo.

JURADOS

Em face de toda complexidade de engenharia e construção das alegorias, Ozéas Bentes defende uma melhor profissionalização dos jurados do Festival de Parintins.

“ Nossa festa é muito artesanal e fica até difícil para  um jurado que vem para o Festival e não tenha um conhecimento de como é feito o Festival, de como os artistas e artesãos de um modo geral constroem esse trabalho . Um exemplo é o lado de uma alegoria que desce mais rápido que o outro e não pode ser confundido com erro. É normal acontecer isso, tudo tem uma explicação. Não podem dar uma nota mínima porque acham que um lado engatou, etc. Falta os jurados terem uma melhor profissionalização, de saber como ele é construído”, declara Bentes.

EXPECTATIVA

Ele conta que a expectativa deste ano para a participação do Boi Garamtido neste 54º Festival superou a de anos anteriores, se mantendo em um nível bom para as três noites. “Chegando lá na Arena nós vamos dar o recado que pede e o que é o Ritual. Chegando lá a alegoria se transforma”, finaliza o artista de ponta vermelho e branco.

Repórter de A Crítica

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