Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
RIOS DE PARINTINS

Parintinenses que moram nas proximidades de rios exaltam a natureza

Os ilhéus, como são conhecidos os parintinenses, são acostumados a morar literalmente de frente para o rio



BEIRA__1__47D8C1BD-E05A-4142-B6B6-2F1F2FD0CBCE.jpg (Foto: Euzivaldo Queiroz)
25/06/2019 às 11:09

Agraciados  com a beleza da natureza ao seu redor, os ilhéus, como são conhecidos os parintinenses, pelo fato da cidade ser uma ilha no meio da floresta amazônica, são acostumados a morar literalmente de frente para o rio ou tendo o Amazonas como seu quintal, unindo seu habitat literalmente natural ao meio ambiente e, claro, colaborando para a ecologia ao manter seus locais limpos e evitando a degradação. Sorte dupla para esses afortunados que sabem que são felizardos em tempos onde nem sempre a moradia é sinônimo de qualidade de vida.

O vendedor Jimmy Jander Da Silva Barros, 39, e sua família, sabem disso. Eles moram na rua Praça São Benedito, bairro de mesmo nome do santo, numa casa construída há 35 anos dos tempos do seu avô, Lauro Teixeira Barros, já falecido. 

No local, conhecido também como “Escadaria de São Benedito”, moram ele e mais cinco pessoas – sua esposa, dois filhos e uma nora com a neta dele. “Eu moro aqui há 22 anos e já somos a terceira geração – tudo começou com meu avô, Lauro Teixeira Barros, depois passou pelo meu tio e hoje somos nós que moramos aqui”, disse Jimmy, parintinense típico, convidativo, já mostrando sua casa para a reportagem de A CRÍTICA.   

“Nos sentimos felizardos por morar em um lugar privilegiado, no qual onde muitos têm vontade de estar. Aqui é um lugar abençoado, onde podemos criar nossos filhos de forma tranqüila, apaziguados pela obra magnífica de Deus”, comenta o vendedor. E olha que, conforme ele explica, mais de 10 metros de encosta já foram pra água devido à cheia dos rios e a conseqüente passagem de barcos pelo local.  “Nossa casa tinha uma área maior, mas com o tempo foi diminuindo e ‘caindo’ com a cheia dos rios e os barcos que passam aqui pela frente e vão batendo na terra. ‘Caiu mais de 10 metros desde os tempos do vovô”, destaca Jimmy.


Jimmy e a vista da janela da casa onde mora (Foto: Euzivaldo Queiroz)

A limpeza do terreno é feita constantemente, disse o parintinense. “A única manutenção que fazemos aqui é a limpeza do terreno a todo tempo. A casa é a mesma há 35 anos, e a minha mãe (que é a proprietária) não quer que façamos nenhuma obra nela”.

É claro que nesse tempo já surgiram várias propostas para a compra do imóvel, no entanto, todas refutadas pela família, conta o vendedor. “Nós nunca pensamos em sair devido esse lugar ser tranquilo e ter esse referencial de paz para criar nossos filhos, além de uma boa vizinhança”, salienta o morador.

VILLA BULCÃO

Já na folclórica avenida Amazonas está localizada a Villa Bulcão, concentração da família Bulcão, uma das tradicionais de Parintins. O local tem cerca de 50 pessoas distribuídas em cinco casas, e é de propriedade da matriarca Fátima Bulcão, viúva de Marcos Gonçalves - já falecido herdeiro de Olindo Bulcão, patriarca da família.  

“Os lotes eram do nosso bisavô parintinense, Taumaturgo Bulcão, e o vovó Olindo foi herdeiro. A Villa sempre foi um ambiante particular e pela questão da paisagem, vento e natureza sempre foi local da vinda de familiares. Em 2017 resolvemos montar um espaço mais aconchegante e peculiar, com a cara de Parintins, com trechos de toadas em placas e um letreiro escrito ‘Eu Amo Parintins’.Todos que vem aqui querem tirar fotos no letreiro”, explica o cerimonialista Paulo Roberto Bulcão, 27.

Na época do Festival, a Villa ganha um restaurante baseado em peixaria que serve comidas típicas como o bodó no tucupi a caldeirada de tambaqui e tucunaré, além de uma feira gastronômica com direito a pôr do Sol.

 O local também é ponto turístico das caravanas de turistas que desembarcam todos os anos para prestigiar o festival dos bois Garantido e Caprichoso.Quem vem pode deitar nas redes de frente para o rio.“É maravilhoso contemplar essa visa criada por Deus. Somos privilegiados por morar aqui”, ressalta a comerciante Érika Bulcão, 33.

Para a estudante Marília Teixeira Vieira, 22, a sensação de morar na Villa Bulcão e especial. “É muito legal, divertido. Bate um vento muito legal, trazemos as crianças pra cá pra essa área, pra olhar o rio”, conta ela, que mora no local há dois anos, é casada com um dos sobrinhos de .... e mãe de Samilly, de 2 anos. “Ela só não brinca com a arara, pois tem medo”, disse a parintinense. 

NO MACURANY

Outro local paradisíaco é a chácara no qual o eletricista Fernando Jorge Reis Fernandes e sua família passam boa parte do tempo. Eles moram no conjunto João Novo, chamado de “lado de cima” de Parintins, mas é no terreno conhecido como “Paraíso da Cunhã”, localizado no ramal do Reis, na comunidade Macurany, que eles se divertem de duas formas: na casa de alvenaria construída na propriedade e que tem uma piscina ou, o mais especial: um pier erguido sobre a enseada do lago Macurany, onde é possível nadar, pescar ou remar numa rústica canoa.  

Já são dez anos de uma rotina na qual eles vêm todas as sextas e só retornam aos domingos, destaca a esposa de Fernando, a dona de casa Elielza Rodrigues Gomes Fernandes. A filha deles, a promissora cantora Fernanda Fernandes, de 14 anos e que, apesar da idade, já tem participações em realitys shows musicais. “O local é ‘Paraíso das Cunhas’ em homenagem a ela”, conta ela.

“Aqui é o nosso pequeno paraíso e refúgio. É a forma onde repomos, recarregamos a nossa energia”, brinca Fernando Jorge, brincando sobre a relação entre a sua profissao e a chácara.

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