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Parintins
SATISFAÇÃO

'Perfeito do início ao fim', avalia presidente do Garantido sobre a segunda noite

Para Fábio Cardoso, pequeno incidente com fogo em uma caixa de som não deve prejudicar a avaliação do bumbá perante os jurados 01/07/2018 às 00:44 - Atualizado em 01/07/2018 às 01:04
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(Foto: Márcio Silva)
Laynna Feitoza PARINTINS

A segunda noite de apresentações do boi Garantido no 53º Festival Folclórico de Parintins foi marcada pela interação dos itens com o público, pelo clamor contra a intolerância religiosa e alegorias impactantes com braços se transformando em asas. Em determinado momento, uma faísca proveniente dos fogos de artifício de uma alegoria atingiu a uma das caixas de som da arena causando um princípio de incêndio, mas as chamas foram contidas rapidamente.

“Foi um curto circuito na base elétrica. Mas os profissionais atuaram e conseguiram parar as chamas sem que a população pudesse perceber. Em minutos já estava fora de perigo”, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros de Parintins, Clóvis Araújo. O presidente do boi Garantido, Fábio Cardoso, afirmou que não chegou a ver o fogo, mas acredita que o incidente não deve atrapalhar as avaliações ao boi, que não excedeu o seu tempo de apresentação.

“Aquilo foi perfeito do início ao fim. Inigualável vencedor. A lenda da Matintaperê foi sensacional e o ritual foi bem redondinho”, colocou ele. Fábio declarou também que o Touro Branco cumpriu muito bem sua obrigação. “Fez um belíssimo espetáculo, saímos com o sentimento de dever cumprido”, pondera. Segundo Cardoso, os debates sobre intolerância religiosa debatidos pelo boi na arena são necessários. “É um tema atual e rico. O Garantido busca cada vez mais o novo”, explica.

O momento da Celebração Folclórica trouxe a toada “As Cores da Fé”, em uma ode a favor da diversidade cultural e religiosa. A sinhazinha da fazenda, Djidja Cardoso surgiu na arena caracterizada de Iansã, orixá da umbanda conhecida por ser a rainha dos raios. As referências a Iansã estavam claras no véu que cobria os olhos e na coroa sobre a cabeça, tradicionais da orixá. No meio da arena, a item tirou as vestes de Iansã e se caracterizou de sinhá novamente.

Ainda sob a mesma toada, o momento da “Toada, Letra e Música” trouxe um dos atos mais memoráveis da noite. Enquanto um grupo que simbolizava na arena a religião umbanda, com pessoas batendo tambores e atabaques, um grupo folclórico logo atrás simbolizava os cristãos católicos. Munidos de terços nas mãos, eles erguiam o terço aos céus enquanto o grupo umbandista tocava seus tambores. Logo após, todos se ajoelhavam no chão em reverência a um único Deus, evidenciando um mesmo Deus para todas as religiões.

Depois de todo esse momento a primeira alegoria, representando o item de Figura Típica Regional, entrou na arena. Trata-se da alegoria do caboclo sacaca, curador popular que age por meio de ervas medicinais e forças espirituais. O módulo central da alegoria se abriu e trouxe a figura do sacaca, com a cabeça dentro da boca de um jacaré, transmutado nos bichos do fundo dos rios. Até a cintura, o corpo do sacaca tinha forma de homem, mas a partir dos quadris o corpo era de peixe. A cabeça do peixe, logo após, revelou a figura da porta-estandarte do boi, Edilene Tavares.

No item “Coreografia”, as tribos indígenas vieram conduzidas pelo pajé André Nascimento e pela cunhã-poranga, Isabelle Nogueira. Sob a toada “Índios do Brasil”, a apresentação dos itens oficiais junto às tribos preencheu de forma inteligente toda a arena. A apresentação foi finalizada com uma bandeira do Brasil no chão do Bumbódromo, com pajé e cunha posicionados ao centro da bandeira, em uma relação entre a pátria indígena e os índios como primeiros habitantes do País.

A segunda alegoria foi um tributo a Lindolfo Monteverde, fundador do boi Garantido. O módulo trouxe Lindolfo ao centro, além de Pai Francisco e Mãe Catirina, simbolizando toda a origem do boi. No ato, a cantora Márcia Siqueira virou Catirina e cantou, ao lado do Pai Francisco interpretado por João Paulo Faria, a toada “Desejos de Catirina”. Uma equipe do Garantido aromatizou a arena com essência de patchouli, enquanto fitas e confetes saíam da alegoria, representado a alegria colorida de Pai Francisco e Catirina. Do peito de Lindolfo saiu o boi Garantido, para seu momento de evolução. Em alguns momentos, o boi acabou saindo da arena e indo aos camarotes cumprimentar o público. Francisco e Catirina também fizeram o mesmo.

A lenda amazônica certamente foi o que mais impressionou todo o público. Ela falou de Matintaperê, famosa lenda amazônica da rasga-mortalha, uma bruxa que se transforma em coruja e passa por cima das casas trazendo prenúncios de morte para os moradores. A alegoria trouxe a imagem de uma velha bruxa com batas rasgadas e sujas. Ao final, as vestes sujas foram afastadas, mostrando que a bruxa tinha pernas de coruja e os braços foram encolhendo, dando lugar às asas do animal. Uma máscara caiu por cima do rosto da bruxa, revelando a coruja rasga-mortalha. Na mesma alegoria, uma coruja menor veio trazendo a rainha do folclore, Brenda Beltrão.

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