Publicidade
Parintins
ARTE DE RUA

Resistência impulsiona intervenção para colorir muros de Parintins durante festival

Artistas visuais de Manaus, em caravana, chegam a Parintins para comandar movimento de exaltação à cultura da arte de rua. Secretaria de cultura apoia ação, comandada por nomes como Raiz Campos e Romahs Mascarenhas 28/06/2018 às 18:08
Show sem t tulo
Muro do Bumbódromo, comandado por Romahs, ganha tom de "aula" com alunos e voluntários (Foto: Antônio Lima)
Isabella Pina Parintins (AM)

A resistência à arte de rua dá o tom do protagonismo antagonista que ainda paira pelas ruas de Parintins. Justo na ilha que respira arte, artistas visuais lutam por espaço e muros para expor o que é de mais precioso: a cultura amazônica. As raízes. 

O caboclo, uma lata de tinta, umas latinhas de spray e uma linha de frente que veio direto de Manaus, com apoio de militantes locais, montam o cenário do que a cidade vive nestes dias de festival: uma intervenção cultural. Com artistas de renomes "puxando o bonde", Parintins ganhará, pelos próximos dias, arte a céu aberto. A Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas apoia o movimento.

Raiz Campos, responsável por boa parte da revitalização dos viadutos de Manaus e grafiteiro de mão cheia é um dos que corre no front do movimento cultural na Ilha. Ele, ao lado de alunos e aprendizes de artes visuais iniciou, na tarde desta quinta-feira, um mural colaborativo próximo ao centro da cidade. É a primeira das artes que Parintins receberá pelos próximos dias. 

Raiz Campos "lidera" mural colaborativo (Foto: Antônio Lima)

"Nós colocamos nosso povo nos muros. É arte raiz, arte amazonense. É a nossa cultura que queremos mostrar. As pessoas ainda têm certa resistência a isso aqui, e queremos ajudar a agilizar o movimento local. Estou aqui para somar, com o pouco que eu sei. É colaborativo. Estamos quebrando uma barreira. Um desenha, outro risca, o irmão ali já tem mais experiência e toca um projeto próprio, outro, com menos, dá seu toque aqui. É de todo mundo. Isso é o grafitti. Esse é só o início do nosso movimento" contou Raiz.

Denis Amoedo, "Bisco", é um artista local. Artista visual, com pegada urbanista. Ele trabalha, dentro do mural colaborativo, em arte própria. É o rosto de um índio. Há anos envolvido com a arte, é a primeira vez que consegue colocar num muro, com total exposição, sua arte. 

"A resistência aqui é Grande. Somos desvalorizados. Talvez ainda enxerguem o grafitti, a arte de rua, como algo criminal. Como vandalismo. Não sei. É a primeira vez que tenho a oportunidade. E vivo em uma cidade que respira arte", destaca, expondo a contradição cultural e conflituosa que artistas locais vivenciam.

Romahs Mascarenhas, cartunista, natural de Parintins e um dos mais reconhecidos nomes da arte no Amazonas, engrossa o time de artistas na intervenção cultural. Ele é responsável por contar, nos muros do Bumbódromo, o folclore do Boi Bumbá via cartoon. Assim como Raiz, faz o trabalho acompanhado de voluntários e estudantes locais.

"A caravana da cultura tem a proposta de dar continuidade à movimentação e intervenção nos muros da cidade. Queremos dar sequência e espaço para os artistas locais terem a chance e espaço para exporem suas artes. A ideia é pegar a estética do boi e transformar naquela coisa mítica do herói de quadrinho. Teremos os itens, as indumentárias, os monstros das alegorias... Tudo isso transformado".

A intervenção cultural iniciou nesta quinta e vai até o domingo, último dia do festival foclórico de Parintins. Ao longo desses dias, artistas se espalharão pela cidade para dar - ainda mais - cor à Ilha Tupinambarana.  

Publicidade
Publicidade