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TUDO PRONTO

Segunda noite: Caprichoso vai retratar choque de culturas no período colonial

Dentro do tema 'Sabedoria Popular - Uma Revolução Ancestral', Touro Negro vai destacar o 'Mosaico de Saberes' e usar, no ritual, alegoria recuperada após incêndio 30/06/2018 às 13:23
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(Foto: Antônio Lima)
Alexandre Pequeno Parintins (AM)

Em sua segunda noite de apresentações neste sábado (30), o boi-bumbá Caprichoso traz o tema “Encontros, um mosaico de saberes”. De acordo com a organização da associação folclórica, a noite destaca o choque de culturas durante o período de colonização de várias regiões do Brasil.

Nesse contexto, a Marujada de Guerra irá desembarcar em duas alegorias representando as caravelas que chegaram ao país há 500 anos. “A diferença é que não terá os homens brancos, vamos rememorar uma das coisas mais importantes da nossa brasilidade que é a chegada das nações bantus, iorubas e outros grupos africanos que foram escravizados”, explica Ericky Nakanome, presidente do Conselho de Artes do Caprichoso.

A lenda amazônica apresentada nesta noite é “Sissa, a flor dos aimarás”, com alegoria produzida pelo artista Algles Ferreira e equipe. O bumbá traz como gancho o contexto histórico da colonização espanhola na Amazônia andina cujo seu universo lendário conta a trágica versão de como nasceu a “Ipuna Caá”, maior flor dos rios e lagos amazônicos.

De acordo com a lenda, toda a aldeia assistia na frente do tempo do Deus “Inti” a chegada do cortejo trazendo a indígena Sissa para celebrar seu casamento com Kitz, quando foram surpreendidos com a chegada de uma expedição espanhola, chefiada por Dom Peralta, o “cruel”. Os indígenas acreditaram que os estranhos seres eram enviados dos deuses e os receberam com hospitalidade e cortesia. O líder espanhol se apaixona perdidamente pela indígena e sela a trágica história que dá origem a lendária vitória-régia.

Figura típica regional e exaltação folclórica

Com alegoria confeccionada pelo artista Glaucivan Oliveira e equipe, o Caprichoso traz ao Bumbódromo “O Caboclo Seringueiro”. “Não vamos trazer aqueles seringueiros da Belle Époque, da beleza e riqueza. Vamos fazer o encontro da esperança, de quem vinha sonhando por dias melhores. O principal desse momento é que iremos reconhecer que o maior legado dos seringueiros é se perguntar: Belle Époque pra quem? Transformaremos o Teatro Amazonas num grande altar ancestral”, afirma Ericky Nakanome.

A partir dos novos costumes trazidos pelos seringueiros que foram essenciais para formar a nossa identidade cultural, surge “Boi de Negro”, alegoria que exibe as riquezas que esses trabalhadores trouxeram para a região como o Candomblé e o bumba-meu-boi, matriz ancestral do boi-bumbá amazônico.

Durante a performance da canção “Boi de Negro” é notável a presença do advogado Rômulo Vieira, quilombola bisneto de Júlio dos Santos, um dos mestres de obra do Teatro Amazonas que integra o elenco do Touro Negro para protagonizar um momento histórico: ele declama um texto na toada.

A importância da tradição popular

Confirmando o tema 2018 do bumbá “Sabedoria Popular: Uma Revolução Ancestral, o Caprichoso traz a alegoria “Ancestralidade Sateré Mawé”. Confeccionada pelo artista Geremias Pantoja e equipe, a ala mostra as tradições, costumes e crenças do povo indígena que continuam lutando e resistindo mesmo com todas as adversidades.

O Caprichoso encerra as apresentações justamente com o “Ritual de Transcendência Yanomani”, alegoria que teve sua matriz central destruída em um incêndio ocorrido na última quinta-feira (28). Em menos de dez horas, os artistas conseguiram revitalizar o projeto desenvolvido pelo artista Kennedy Prata e equipe.

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