Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Explicações

Brasileiro que luta pelo Líbano pede desculpas por momento de raiva no tatame

O lutador se retratou após perder a cabeça com a desclassificação logo na primeira luta



nacifeee.JPG O brasileiro naturalizado libanês, Nacif Elias, foi naturalizado libanês há três anos (Foto: Roberto Castro/ Brasil2016)
09/08/2016 às 13:48

Na manhã do quarto dia do judô, o brasileiro naturalizado libanês, Nacif Elias, foi desclassificado em sua primeira luta contra o argentino Emanuel Lucentti. A arbitragem alegou que Nacif encaixou uma chave de braço no adversário quando os dois estavam em pé, golpe considerado irregular. Inconformado com a decisão, o judoca reclamou muito sobre o tatame e, no fim da luta, não cumprimento o adversário.

Após a explosão no tatame, vieram as lágrimas. O judoca passou chorando pela zona mista e seguiu para se reunir com membros da federação internacional de judô. A reunião durou cerca de 40 minutos. “Eles me mostraram o vídeo da luta. Eu concordo com ele, peço perdão. Faz parte e agora é levantar a cabeça e me preparar para a próxima”, disse o lutador já de cabeça mais fria.

Mesmo tento aceitado a decisão, o judoca ainda se diz inconformado com a decisão. Que o suposto golpe irregular não passou de uma catimba argentina. “Nas duas vezes deu pra ver a catimba. Ele já tentou ir em outro golpe. Ele programou pra fazer aquilo e conseguiu enganar os árbitros, mas a batalha continua, vou continuar treinando”. O argumento de Nacif é que ele tentou encaixar um uchi-mata, golpe de arremesso no judô, algo que o brasileiro sempre faz em suas lutas. “Eu dei um golpe. Aquilo se chama uchi-mata. Em todas as minhas lutas, se você pegar os meus vídeos no circuito mundial, tem esse uchi-mata que eu dou sempre”, justificou.

Momentos após a luta, Nacif voltou ao tatame da Arena Carioca 2 e pediu desculpas ao público pela atitude de horas antes e teve o seu nome gritado na Arena. “Eu que quis pedir desculpas. Isso (de discutir com a arbitragem) não condiz com a minha postura. Eu tenho um instituto, o Instituto Nacif Elias e imagina se eu falar algo pra essas crianças elas tomarem uma atitude contrário. Então eu voltei para me retratar, pedir desculpas porque eu quero servir de exemplo para as crianças do nosso Brasil, para as pesssoas de fora. Se um politico é corrupto eu não vou ser corrupto. Que isso sirva de exemplo e mesmo não achando certo batalhe, corra atrás e faça o correto”.

A decisão de uma suspensão em competições deve ser tomada nos próximos dias, mas Nacif conta que após a eliminação já pensa no ciclo olímpico para chegar em Tóquio para tentar se destacar por outro motivo.

“Foi um sentimento triste porque eu já tinha ganho do argentino duas vezes. A chave tava se abrindo eu via a medalha no meu peito. Eu tinha treinado. Nunca estive tão preparado para uma competição, mas se for dessa forma eu tenho que aceitar e agradecer o carinho do público que gritou, esteve comigo a todo momento, mas eu não vou desistir não. Eu vou para Tóquio, vou batalhar. Muitos falam, 'mas é daqui a quatro anos', mas já está bem ali. O ciclo olímpico vou fazer da mesma forma, mas o objetivo agora é ganhar o mundial mais próximo e mostrar que eu tenho capacidade, que eu poderia ter sido medalhista nessa olimpíada”, finalizou.


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