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Rio 2016
Venceram na fé

"Estava escrito", diz Bruno sobre título olímpico

Emocionados pela conquista do ouro, Alison e Bruno destacam trabalho e fé da dupla que de desacreditada virou campeã olímpica 19/08/2016 às 07:55
Show alison e bruno
A dupla se sagrou campeã com seis vitórias em sete jogos (Foto:Murad Sezer/Reuters)
Camila Leonel Rio de Janeiro (RJ)

Depois de muito suor, dificuldades e sets, o ouro finalmente veio para Alison e Bruno ao vencer os italianos Nicolai e Lupo por 2 sets a 0 na madrugada desta sexta-feira (19). Apesar de toda a vibração que se seguiu após o jogo, a dupla ainda parecia não acreditar no feito: sair com uma medalha dourada da Arena do Vôlei, em Copacabana.

Mas Alison diz que o trabalho não começou ontem. Ele fez questão de frisar que o ouro veio com um trabalho que começou em 2014.

“Você não vence uma Olimpíada saindo de casa. Teve muita história. Em 2014 nós compramos o terreno, em 2015 construímos nossa casa e em 2016 pintamos. Superamos grandes dificuldades. As eliminatórias do Brasil para os Jogos Olímpicos são muito fortes. Tive apendicite, tivemos resultados ruins, mas em nenhum momento o Bruno deixou de acreditar no Alison e nem o Alison deixou de acreditar no Bruno. E tudo começou na Copa do Mundo. Ali batemos recordes, ganhamos seis etapas. Sempre tivemos humildade e dedicação. Sempre acreditar um no outro. É uma característica do nosso time”, disse o Mamute.

Voltando a 2014, aliás, a dupla recém formada era vista com desconfiança. Alison havia ficado marcado por perder a final dos Jogos Olímpicos, em 2012, ao lado de Emanuel, e Bruno Schmidt, que tem 1,85, era considerado baixinho para os padrões do esporte. Hoje, Bruno é o melhor jogador do mundo, eleito pela Federação Internacional de Voleibol e, agora, é campeão olímpico.

“Tomara que dia de hoje sirva para mostrar para todo mundo que nesse esporte não se pode rotular nada. E acho que todo mundo viu hoje que um atleta baixo tem espaço aqui. Um atleta merece a sua segunda chance. Para mim, o Alison foi campeão em Londres. Ele jogou aquela Olimpíada de maneira maravilhosa. O ouro não veio porque o jogo é assim, faz parte e essa é a beleza do jogo. Que sirva de lição, que o vôlei de praia é um esporte que precisa só ter coração”, ressaltou Bruno.

Depois de 13 dias de competição, a primeira coisa que Bruno contou que vai fazer é descansar. Ele confessou que não dormiu direito devido a ansiedade pela final, mas que agora se livrou do peso da expectativa pelo ouro. Para ele,  a conquista “veio com o melhor gostinho”.

“Eu tentei me manter focado nesse torneio nessas duas semanas. Foi a coisa mais dificil que eu fiz na minha vida. Eu batalhei tanto para estar aqui porque eu sabia que seria difícil a chave. Nós pegamos os americanos nas quartas. O sonho podia ter acabado ali. Passando isso pegamos os holandeses que estavam num torneio indescrítível. Então, eu tô exausto. Eu tive que lidar com tanta ansiedade. Eu não dormi de ontem pra hoje dormi umas duas horas”.

Mas mesmo com tanta pressão, o focado Bruno tem certeza que uma coisa: que o título estava escrito para a dupla.

“Tava escrito. Pelas as dificuldades que a gente passou. o Alison veio de um time extremamente campeão quando me chamou e no momento que a gente iniciou o time, as coisas estavam começando a andar tivemos que parar para ele operar o joelho. No período da corrida olímpica ele teve apendicite e muita dificuldade, mas tava escrito e quando tá escrito você supera qualquer dificuldade”

A trajetória até a final

Primeira dupla brasileira a entrar em quadra, no dia 6 de agosto, Alison e Bruno estrearam vencendo com facilidade a dupla canadense Josh Binstock e Samuel Schachter por 2 sets a 0. No segundo jogo, veio o baque. Derrota para a dupla austríaca Doppler e Horst por dois sets a 1. Mas a dupla não se abateu e usou a derrota para se motivar ainda mais. “Tomamos algumas porradas, mas é normal e isso fortalece demais a gente. A gente estudou, teve humildade, reconheceu os erros e superou as dificuldades nos outros jogos”, avaliou Alison. No terceiro jogo da primeira fase, a redenção: 2 sets a 0 contra os italianos Ranghieri e Carambula.

Na segunda fase, vitória contra os espanhóis Herrera e Gavira. Nas quartas de finais, uma pedreira: a dupla norte-americana formada pelo ex-campeão olímpico Phill Dalhausser, e Nick Lucena por 2 sets a 1. Nas semis, vieram os holandeses Brouwer e Meeuwsen. Os brasileiros, no sufoco, venceram a disputada partida por 2 sets a 1, garantindo medalha para o Brasil. Na final, 2 sets a 0 contra Nicolai e Lupo, parciais de 21 a 19 e 21 a 17.

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