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Rio 2016
A força do remo

Fera da canoagem, Isaquias Queiroz fala com exclusividade ao A Crítica

Com apenas 22 anos, canoísta pode se tornar o 1º brasileiro a subir no pódio por três vezes numa mesma Olimpíada 16/07/2016 às 19:51 - Atualizado em 31/07/2016 às 16:16
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O baiano Isaquias Queiroz é uma das maiores esperanças de ouro para o Brasil na Rio 2016 (Foto: Jeff Swinger-USA TODAY Sports)
Denir Simplício Manaus (AM)

De “Sem Rim” para “Três Pulmões”, a fantástica história de um menino travesso que se transformou em uma das maiores esperanças de medalha do Brasil na Rio 2016. Isaquias Queiroz é a sensação da canoagem brasileira e, porque não, mundial. Com apenas 22 anos, o baiano é tricampeão mundial na modalidade, conquistando a vaga no lugar mais alto do pódio nos últimos três anos.

Mas o leitor deve estar se perguntando por quê Sem Rim e Três Pulmões? Em mais um capítulo da série Conexão Rio 2016, o próprio Isaquias Queiroz, que teve uma infância humilde, em Ubaitaba, no interior da Bahia, conta essa história. “Fui uma criança como qualquer outra: cheia de energia, agitada, curiosa e feliz. Aos 10 anos, subi em uma árvore para ver uma cobra morta e que estava pendurada num galho de árvore. Caí em cima de uma pedra, tive hemorragia interna e acabei perdendo um rim. Assim surgiu o apelido”, conta o atleta, que por conta da incrível capacidade física agora é chamado de Três Pulmões. “Então, acho que implantaram um pulmão a mais em mim durante a operação”, conta aos risos o canoísta.

Porém, antes do trágico acidente na árvore, Isaquias sofreu outro trauma, isso aos três anos de idade. A mãe trabalhava fora e deixava os filhos com uma cuidadora que nada mais era do que outra criança um pouco mais velha que o futuro campeão da canoagem. Num descuido, a menina deixou uma panela de água fervente cair sobre Isaquias, que teve sérias queimaduras.

Fã do velocista jamaicano Usain Bolt e do craque Neymar, Isaquias lembra que quase não praticava esportes antes de descobrir a canoagem, mas que deu seus chutes. “Não praticava outro esporte, mas de vez em quando jogava uma pelada com os amigos. Era um jogador mediano”, confessa Isaquias, revelando que não faz ideia do que faria hoje se não fosse canoísta. “Não faço a mínima ideia (risos). Eu entrei no esporte porque eu queria praticar alguma coisa. Queria fazer esporte, ficar forte”, explica.

De olho em 3 ouros

A vencedora trajetória de Isaquias o coloca como favorito a três pódios na Rio 2016: no C1 1000m, na C 200m e na C2 1000m (em dupla com Erlon de Souza). O baiano aponta a primeira categoria como sua especialidade, mas quando questionado sobre o favoritismo na prova, preferiu desconversar. “Minha prova principal é o C1 1000 metros que é a mesma do C2 e, não menos importante que o C1 200 metros. Estou treinando forte nas três, mas teremos que aguardar até a segunda quinzena de agosto pra saber (risos)”, brinca o atleta.

Isaquias alcançou o patamar de sensação da canoagem de forma arrasadora aos 17 anos, quando conquistou o Mundial Júnior de 2011. No entanto, a grande evolução do jovem canoísta veio depois que ele conheceu o homem que mudaria sua vida: Jesus. Não o Jesus Cristo, mas o espanhol Jesus Mórlan, renomado técnico de canoagem que assumiu a seleção brasileira em 2013. Depois que começou a treinar com Mórlan, Isaquias venceu o Mundial de Paris 2013, na C1 500m – que não é categoria Olímpica. Repetiu o feito no ano seguinte em Moscou, na Rússia, e no ano passado faturou o bronze no Mundial da Itália na C1 200m e o ouro na C2 1000m ao lado de Erlon de Souza.

Para a Rio 2016, Isaquias nem gosta quando falam que ele vai “participar” da Olimpíada. O negócio do baiano é ganhar. “Quero obter os maiores títulos dentro da modalidade e ir em busca de recordes mundiais. Não gosto de falar que vou competir. Gosto de falar que vou brigar por medalha. Eu falo que não vou participar. Participar vai quem não tem chance de medalha. Eu vou para me matar e brigar por medalha”, afirma o canoísta, que não se descuida do visual nem na hora das provas. “Gosto de cuidar da minha aparência e de tudo que é bonito”, revela. 

Isaquias esteve recentemente em Manaus para uma visita a uma escola de canoagem. Na ocasião, o baiano disse que gostou da cidade e que aposta na canoagem local. “Achei a cidade maravilhosa e com muitas perspectivas de progresso na canoagem”, concluiu.

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