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Rio 2016
boxe

Patrick tinha tudo para jogar futebol, mas paixão pelo boxe foi arrebatadora

O jovem jogando futebol na comunidade do Vidigal (RJ), mas a química não bateu. 'Como todo brasileiro que nasce em uma comunidade carente, já nasci aprendendo a jogar futebol', conta Patrick, que chegou a trabalhar com o tênis, mas 'o amor à primeira vista' só aconteceu quando ele subiu num ringue de um projeto social 31/07/2016 às 18:02
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Camila Leonel Manaus (AM)

A estreia de Patrick Lourenço nos Jogos Olímpicos será num lugar que ele conhece muito bem: o Rio de Janeiro. Nascido na comunidade do Vidigal, o boxeador de 23 anos, que mora em São Paulo junto com a seleção brasileira de boxe, estará de volta à sua terra natal para realizar o sonho de todo atleta. Lourenço lutará na categoria mosca-ligeiro (até 49kg), a que abre as lutas do torneio de boxe.

Mas o trajeto entre São Paulo e a Arena Rio Centro, onde será disputada a modalidade, foi bem mais longo do que se pensa. Na verdade, esse caminho começou a ser trilhado há muito tempo, no próprio Rio de Janeiro. Nascido em um País que tem uma forte influência do futebol, Patrick começou nos campos da comunidade, mas a química não bateu.

“Como todo brasileiro que nasce em uma comunidade carente, já nasci aprendendo a jogar futebol”. Patrick chegou a trabalhar com o tênis, mas “o amor à primeira vista”, como o próprio atleta define, só aconteceu quando ele subiu num ringue usando luvas em um projeto social da comunidade.

“Comecei treinando boxe no Instituto “Todos na Luta”, um projeto social que tem no Vidigal. O Raff Giglio, que é quem comanda o projeto, logo se tornou um grande professor para mim e hoje o tenho como um pai. Comecei a treinar e competir, e todos viram que eu tinha talento. Mas pensei em desistir por falta de apoio. Queria ajudar minha mãe em casa, mas não ganhava quase nada com o boxe ainda. Mas ela me orientou também, disse para eu acreditar no meu sonho e decidi investir todo meu esforço e dedicação no esporte, e agora estou na Olimpíada. Deu certo! (risos)”, relembrou.

E a relação de amor com o boxe deu tão certo que os primeiros resultados surgiram em 2013, quando ele foi o quinto colocado no Campeonato Mundial daquele ano. O brasileiro caiu nas quartas de final para o argelino Mohamed Flissi. Mas ele garante que está em sua melhor forma física.

“Hoje estou mais experiente, mais bem treinado. Estou no melhor da minha forma física e técnica, então sou hoje o melhor que eu posso ser no momento. E será assim que vou conquistar uma medalha para o Brasil. Acho que a força da torcida será nossa motivação extra para brilhar”, disse o pugilista que hoje é o melhor ranqueado em sua categoria.

Mas mesmo com mais experiência, ele revela que o frio na barriga é um companheiro de treino e que tem acompanhamento para que isso não virar um adversário a mais no ringue.

“Eu estava muito ansioso para a Olimpíada, cheguei a sonhar três vezes em uma semana com isso. Aí comecei a trabalhar com o mental coach Marcelo Caldas. Ele me ajudou a canalizar minha energia para o lado positivo, e hoje já não sinto mais pressão ou aquela ansiedade ruim. Estou com um friozinho na barriga, mas tudo controlado”, confessou.

E se a mente está sendo treinada, o corpo e a técnica estão sendo aprimoradas, principalmente em uma categoria tão acirrada e sem favoritos. Com a seleção, ele treinou em vários países. O trabalho agora é para baixar de peso, uma dificuldade para quem precisa chegar aos 49 kg medindo 1,64 de altura.

“A minha preparação e de toda seleção brasileira foi muito boa. Fizemos testes em Cuba, Argentina, Venezuela, Sérvia... Estamos muito bem preparados. Temos totais condições de repetir o feito de Londres 2012 e conquistarmos três ou mais medalhas. Já estou na dieta, que é a parte mais chata. Minha primeira luta já é no dia 6, então não posso dar mole com o peso”, desabafa.

Além de uma medalha, Patrick quer ser um exemplo para milhares de jovens que, assim como ele, nasceram e cresceram em comunidades. “Sonho em servir como inspiração para os jovens, principalmente para aqueles que nascem em comunidades carentes, que não têm muitas oportunidades. Eu passei por isso, sei o quão é difícil. Mas podemos chegar lá, podemos realizar nossos sonhos. Basta se dedicar, fazer boas escolhas, fugir do mal”, declarou.

Entre tantas crianças, uma em especial, Eloá, a filha de quatro meses, é a motivação especial para Patrick. O lutador tenta encurtar a distância através do telefone. O próximo encontro? Ele espera que seja no Rio e com uma medalha no peito.

“É uma dificuldade ainda mais depois que a minha filha nasceu. Esses últimos meses foram complicados. A saudade apertava e, assim que podia, eu corria para o Rio. Depois da Olimpíada ficarei um tempo com ela, se Deus quiser com uma medalha no peito”.

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