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Rio 2016
Heróis Olímpicos

Sem bandeira, dez atletas refugiados competem na Rio 2016

Sem poder voltar para os países de origem, os atletas são símbolo de esperança para população que sofre com as guerras 03/08/2016 às 08:38 - Atualizado em 03/08/2016 às 08:54
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Delegação ficou completa nesta semana e concedeu coletiva para imprensa na terça-feira (02). (Foto: Valter Cardoso)
Valter Cardoso Rio de Janeiro

Defender o seu país no maior evento esportivo do mundo, este é o objetivo de todos os atletas de alto nível. Mas e se a motivação for maior? Dez atletas vão competir nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 sem carregar a bandeira do próprio país e sem sequer poder voltar para lá. Na edição deste ano dos Jogos, o Comitê Olímpico Internacional anunciou um time especial: a Equipe Olímpica dos Refugiados.

Ao todo são dez atletas de quatro países diferentes e nenhuma bandeira. Uma das histórias mais impressionantes é de Yusra Mardini, nadadora síria, refugiada na Alemanha. Há um ano, quando fugia dos conflitos de seu país foi obrigada a seguir em um bote rumo à Grécia, mas a embarcação afundou. Yusra precisou nadar para sobreviver, evitando que a cena trágica, comum em atitudes de desespero como esta, tivesse mais um desfecho doloroso. O peso de nadar pela própria vida poderia justificar nunca mais querer entrar em uma piscina, não foi o que aconteceu com ela. “Quando eu entrava na piscina, todos os meus problemas desapareciam”, explicou a síria. Aqui no Rio, Yusra disputa uma medalha olímpica na natação.

Os dez atletas, com histórias diferentes, encontraram países também diferentes para se refugiar, mas um refúgio em comum: o esporte. “Perdi minha mãe e fui separada dos meus irmãos. Depois, consegui chegar um abrigo, consegui aprender o judô. Hoje, eu vou lutar para ganhar uma medalha”, garantiu Yolande Mabika, que nasceu no Congo e buscou refúgio no Brasil, fugindo da guerra em seu país natal.

Guerras civis, mortes, perseguições. Nem de longe essas palavras parecem fazer parte da preparação de um atleta olímpico, mas são de dez, que independentemente da medalha a ser carregada, já tem seu objetivo maior traçado. “A gente vai sair da tristeza para a alegria. Uma transformação do passado. Agora podemos nos considerar embaixadores e voltaremos para inspirar outros como nós”, explica Yiech Pur Biel, do Sudão do Sul, que vai disputar os 800m no atletismo.

Talvez a maior ironia seja que esses atletas não representem seus países, mas representem o seu povo. Afinal, corações não precisam de bandeiras tremulando para poder bater. “Muitas coisas aconteceram nas nossas vidas. Mas em algum momento você tem que ir para a frente, tem que mudar. Muita gente nos escreve, não podemos decepcionar essas pessoas que põem esperança em nós”, desabafou Yusra Mardini, explicando o que motiva os atletas nestes Jogos Olímpicos. Estes dez atletas são refugiados e não podem voltar a seus países.

Estes dez atletas são refugiados e não podem nos deixar esquecer que mesmo no maior evento esportivo do planeta, as vezes o resultado final não pode ser mensurado com uma medalha.

Lista da Equipe Olímpica dos Refugiados:

Popole Misenga
País de nascimento: República Democrática do Congo
País onde se refugiou: Brasil
Modalidade: Judô (-90kg)

Rami Ani
País de nascimento: Síria
País onde se refugiou: Bélgica
Modalidade: Natação

Yiech Pur Biel
País de nascimento: Sudão do Sul
País onde se refugiou: Quênia
Modalidade: Atletismo – 800m


James Nyang Chiengjiek
País de nascimento: Sudão do Sul
País onde se refugiou: Quênia
Modalidade: Atletismo – 400m

Yonas Kinde
País de nascimento: Etiópia
País onde se refugiou: Luxemburgo
Modalidade: Atletismo – maratona

Paulo Amotun Lokoro
País de nascimento: Sudão do Sul
País onde se refugiou: Quênia
Modalidade: Atletismo – 1.500m

Yolande Bukasa Mabika
País de nascimento: República Democrática do Congo
País onde se refugiou: Brasil
Modalidade: Judô (-70kg)

Anjelina Nada Lohalith
País de nascimento: Sudão do Sul
País onde se refugiou: Quênia
Modalidade: Atletismo – 1.500m

Yusra Mardini
País de nascimento: Síria
País onde se refugiou: Alemanha
Modalidade: Natação

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