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Rio 2016
Seleção feminina x Seleção Masculina

Vadão reprova polarização entre seleções e diz que os times se dão bem

O treinador destacou que o futebol feminino ainda precisa de muito incentivo para crescer no país mas que isso não deve afastar torcida do futebol masculino 15/08/2016 às 21:37 - Atualizado em 16/08/2016 às 01:22
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Para o treinador não deveria haver comparações entre o time feminino e masculino do Brasil (Foto: Reprodução Internet)
Camila Leonel Rio de Janeiro (RJ)

Desde o início dos Jogos Olímpicos, o torcedor brasileiro vem comparando as atuações da seleção de futebol masculino e feminino. Enquanto os homens começaram empatando dois jogos – contra e África do Sul e Iraque – e venceu o último jogo da primeira fase contra a Dinamarca, a seleção feminina fez resultados consistentes contra China – 3 a 0 – Suécia – 5 a 1 – e empatou com a África do Sul em 0 a 0 no último jogo em Manaus. O que fez a torcida abraçar as meninas e cornetar os rapazes.

Mas para o técnico Vadão, essa polarização não é bem vista. Para ele, o torcedor deveria abraçar os dois times, uma vez que meninas e meninos convivem bem, incentivam um ao outro antes dos jogos e estão em busca do mesmo objetivo: a medalha de ouro.

“O futebol feminino necessita de uma afirmação no pais. E uma conquista seria importante para isso. Já o time masculino não vinha vindo bem e aquilo acabou gerando uma comparação que nós não gostamos pelo bom convívio que os times têm. As meninas mandam mensagem para os meninos e vice versa. Vivemos numa perfeita harmonia. Como o masculino e o feminino avançou, a pressão pelo resultado e pela mealha acaba aumentando”, declarou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (15), no Maracanã.

Coincidência ou não, o aumento da popularidade da seleção feminina de futebol se deu exatamente em uma época onde as discussões sobre empoderamento feminino entraram em pauta em diversos canais da sociedade. Para Vadão, isso ajudou a embalar a seleção feminina no torneio Olímpico.

“A nossa esperança é sempre essa, ter o apoio da torcida. Por uma coincidência do destino as coisas começaram a dar certo. A coisa embalou. Jogamos em Manaus, em Belo Horizonte e todo o país está contaminado. O que é bom. Quando o presidente (da CBF, Marco Polo Del Nero) perguntou o que poderíamos fazer para melhorar, nós dissemos que com apoio, com treinamento elas podem fazer muito mais do que estão fazendo independente da medalha. Com condições de igualdade, elas poderão demonstrar um bom futebol e ser uma alegria para o futebol brasileiro”, explicou.

A seleção feminina possui duas pratas em Jogos Olímpicos e figura entre as principais forças do futebol feminino. O Brasil de Marta, jogadora cinco vezes eleita como melhor do mundo e maior artilheira da história das Copas do Mundo de futebol feminino, com 15 gols e maior artilheira da história da seleção brasileira (contando a Masculina e a Feminina), com 101 gols, ainda não dá o incentivo necessário para que a modalidade se desenvolva, como acontece com o masculino.

Vadão citou os avanços no futebol feminino como a criação de uma seleção permanente, mas para ele, isso ainda é pouco para a valorização do futebol feminino do Brasil.

“A nossa maior luta é essa: valorizar a modalidade para que seja melhor desenvolvida no Brasil. Nós, aqui no Brasil, estamos muito abaixo de países como Estados Unidos, Canadá, Suécia, França, Alemanha, por exemplo. Trabalho de base não existe aqui. Não temos nem na escola, nem nas prefeituras, só em raros momentos. E a maioria das meninas que querem não tem onde jogar. Elas começam a jogar tarde, a partir dos 13, 14, 15 anos nos clubes. Antes disso, ,até então, jogam por si só. A nossa maior esperança de jogar no Maracanã, que tem visibilidade, é que o trabalho que tem sido feito traga a uma motivação melhor para a nossa modalidade”, finalizou.

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