Saúde

Como a pandemia influencia na campanha 'Dezembro Vermelho'?

No mês de conscientização sobre HIV/Aids, os infectologistas Marcus Lacerda e Fabiane Giovanella Borges discutem se a pandemia atrapalhou ou não nos avanços de tratamento da doença

Tiago Melo
11/12/2021 às 17:01.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:48

((Foto: Reprodução))

Estamos em dezembro e com a chegada do ‘mês vermelho’ vem a campanha de conscientização sobre HIV/Aids. No Brasil, o SUS completa 25 anos disponibilizando terapias que controlam a doença e propiciam uma vida normal ao paciente. Contudo, desde 2020, o mundo se vê às voltas com uma nova realidade que colaborou muito para afastar as pessoas dos consultórios, ambulatórios e rotinas de exame: a pandemia de Covid-19.

De acordo com o infectologista Marcus Lacerda, o real impacto da pandemia na vida de pacientes com HIV ainda deverá ser descoberto nos próximos anos. “O número de notificações de casos tanto pode ter diminuído porque as pessoas têm menos acesso a serviços de saúde durante a pandemia, quanto as pessoas, em lockdown e isolamento social, também podem ter diminuído sua atividade sexual nesse período”, afirmou o especialista.

Aqui no Amazonas, a situação não foi diferente. Conforme dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, de janeiro a outubro de 2021, o Amazonas registrou 1.066 casos de HIV e 562 novos casos de Aids.

“Apesar dos serviços que prestam atendimento às pessoas com HIV/Aids terem permanecido em funcionamento por toda a pandemia, houve infelizmente um impacto negativo. O Boletim Epidemiológico HIV/Aids de 2021 no Amazonas informa que houve uma redução do número de exames de testagem rápida, o que provavelmente interferiu nos números de notificações”, ressalta a infectologista Fabiane Giovanella Borges.

Trabalho de conscientização

Apesar do trabalho de conscientização do Dezembro Vermelho, muitas pessoas ainda desconhecem o básico, como, por exemplo, a diferença entre HIV e Aids. Em resumo, HIV é uma sigla para vírus da imunodeficiência humana. É o vírus que pode levar à síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). "É importante saber que, hoje em dia, com o tratamento adequado, nem todo mundo que vive com HIV chega a desenvolver a Aids”, destacou Fabiane Giovanella Borges.

Contudo, há de se ter cuidado com algumas doenças oportunistas. No caso da Covid-19, quem tem HIV precisa estar atento a alguns fatores para minimizar a exposição ao coronavírus. A infectologista destaca alguns:

“Não abandone seu tratamento antirretroviral, faça o seu uso diariamente fortalecendo sua imunidade e mantendo sua carga viral indetectável. Abuse das medidas de prevenção. Mantenha o distanciamento social. Mantenha seu cartão de vacinas atualizado. Se organize para ficar mais em casa ou em áreas abertas; tenha seu medicamento antirretroviral e outras medicações para doenças oportunistas suficientes para no mínimo 30 dias”, afirma.

Futuro promissor

Segundo o infectologista Marcus Lacerda, independentemente da pandemia, a principal forma de prevenção do HIV ainda é o uso de preservativo. Entretanto, como nem todo mundo usa a proteção, uma ferramenta que tem sido bastante difundida, e que já pode ser encontrada gratuitamente no SUS, é a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

“O medicamento previne quase 100% das infecções pelo HIV. No Brasil, ainda é tímido o número de pessoas usando o PrEP, apesar de ser seguro e sem efeito colateral. Aqui em Manaus, a gente começou a fazer isso na Fundação de Medicina Tropical e foi expandido. Queremos cada vez menos pessoas infectadas. Com o PrEP isso se tornou uma possibilidade que precisa chegar forte aqui no nosso Estado, assim como é forte nos Estados Unidos, Canadá e na Europa”, conclui Marcus Lacerda.

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