Piloto da lancha, que teve a prisão decretada pela Justiça, segue desaparecido
Patrícia Silva é uma das desaparecidas (Foto: Reprodução)
Um mês após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, cinco pessoas continuam desaparecidas nas águas do Rio Amazonas e o comandante da embarcação, Pedro José da Silva Gama, segue foragido da Justiça desde que teve sua prisão preventiva decretada, em 14 de fevereiro.
O acidente, ocorrido em 13 de fevereiro, deixou três pessoas mortas e dezenas de sobreviventes que ficaram à deriva após a lancha, que partiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte com cerca de 80 pessoas, submergir completamente.
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) afirmou que percorreu, até o momento, 238 quilômetros de rio. Sem prazo para encerrar os trabalhos, a operação conta com o efetivo de 21 militares, sendo 12 mergulhadores especializados.
Além de quipamentos de uso de sonares para leitura do leito do rio e drones para varredura de superfície e duas embarcações permanecem exclusivas para o serviço operacional.
Para os familiares dos desaparecidos, como o esposo de Patrícia Silva, a prioridade é o içamento da embarcação do fundo do rio.
Genivaldo Hassan, 41, esposo de Patrícia, diz que o sentimento é de angústia e impunidade.
"A gente acredita que, tirando a lancha, teremos uma resposta definitiva. Cada dia que passa a angústia aumenta e sentimos a impunidade, pois o responsável continua foragido", desabafou.
Até o momento, as vítimas fatais confirmadas são: Samila de Souza, 3 anos, Lara Bianca, 22 anos e Fernando Grandêz, 39 anos.
O piloto Pedro José chegou a ser detido no dia do acidente, mas foi liberado após pagar fiança. No dia seguinte, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou sua prisão preventiva para garantir a aplicação da lei penal, mas ele não foi mais localizado.
Em nota, a empresa Lima de Abreu Navegações lamentou o ocorrido e reiterou que a embarcação estava com a documentação em dia e regularizada junto aos órgãos competentes. As causas reais do naufrágio ainda estão sendo apuradas pela Marinha e pela Polícia Civil.
Saudade
A irmã do cantor gospel Fernando Cortez, uma das vítimas encontradas, afirmou que o luto ainda é marcado por muita dor e que a mãe permanece devastada com a ausência de responsabilização.
(Foto: Divulgação)
Fernanda Cortez destacou também a angústia das famílias das outras cinco vítimas que seguem desaparecidas, sem respostas das autoridades.
“É como se as pessoas já estivessem esquecendo. É muito difícil estar do lado daqui, imagine pra quem não sabe se querer onde está o corpo do seu familiar e sem ver nenhuma justiça sendo feita”, disse, reforçando a cobrança por justiça e solidariedade às demais famílias