Dados do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou, também, aumento de crimes de racismo e injúria racial
De 2021 para 2022, crimes de ódio contra a comunidade LGBTQIAP+, racismo e injúria racial cresceram no Amazonas. No período, os crimes de lesão corporal dolosa contra pessoas LGBT aumentaram 61,1%. Os dados são do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (20).
Foram 18 crimes do tipo cometidos em 2021 e 29 perpetrados no ano passado. Os homicídios dolosos contra membros da comunidade, quando existe intenção de matar, tiveram uma queda de 42,9%. Em 2021, 14 pessoas foram mortas, contra 8 homicídios no ano passado.
Em 2021, uma pessoa LGBT foi vítima do crime de estupro. No ano seguinte, o número saltou para seis. Uma variação percentual no período de 500%, segundo o anuário.
No período de dois anos, o Amazonas registrou 124 crimes de injúria racial. Foram 77 registros em 2021 e outros 124 em 2022. Um aumento de 56,5%.
62 casos de racismo também foram registrados no estado. No período, houve um aumento de 56,8% no registro. O anuário tabulou junto ao crime de racismo o crime de homofobia e transfobia. Na tabela, os três crimes tiveram dez casos em 2021. E 13 no ano passado. Uma variação percentual para cima de 28,7%.
O anuário levantou os dados junto às secretarias estaduais de segurança pública via Lei de Acesso à Informação (LAI). Os pesquisadores ponderam que apesar da oferta de dados ter crescido desde 2018, não significa que a informação produzida seja fidedigna à realidade.
Para os responsáveis do levantamento, os dados referentes às pessoas LGBTQIA+ vítimas de lesão corporal, homicídio e estupro ainda possuem altíssima subnotificação.
Por isso, o fórum defende a necessidade de comparar os dados oficiais aos produzidos pela sociedade civil, nas figuras dos relatórios anuais da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e do Grupo Gay da Bahia (GGB).
"O Estado deu conta de contar 163, 63% do que contabilizou a organização da sociedade civil, demonstrando que as estatísticas oficiais pouco informam da realidade da violência contra LGBTQIA+ no país", criticou o Fórum Brasileiro.