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Dia Internacional da Cerveja: após a pandemia, Amazonas cresce no nicho da produção artesanal

Brasil é atualmente o terceiro maior mercado consumidor de Cerveja no Mundo. Produtores locais buscam expandir este mercado, mesmo com a difícil logística e pouca mão de obra qualificada

Michael Douglas
online@acritica.com
05/08/2022 às 18:29.
Atualizado em 05/08/2022 às 18:29

(Foto: Arlesson Sicsú)

O primeiro fim de semana do mês de agosto tem um gosto especial, já que na sexta-feira (5) é comemorado o “Dia Internacional da Cerveja”, havendo comemorações por todo os dois dias seguintes. A data foi criada em 2007 por um grupo de amigos norte-americanos e ganhou o mundo todo, inclusive o Amazonas, que apresenta exponencial crescimento nesse mercado – principalmente no nicho das cervejas artesanais. 

De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o Brasil é atualmente o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, ficando atrás apenas das potências China e Estado Unidos.  

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontam que em 2010, o mercado de cervejas artesanais representava 0,7% da produção nacional. Atualmente, elas já somam 1,2%. até 2018, houve um crescimento de 23% no número de cervejarias artesanais no país. O estado do Rio Grande do Sul é o primeiro colocado, com 179 cervejarias. Até 2019, a região Norte possuía 26 fabricantes de cervejas com essa proposta.  

Regionalizando ainda mais o tema, o Amazonas ainda aparece atrás de outros Estados nesse mercado, mas apresenta uma tendência ao crescimento.  

Essa é uma das afirmações feitas pelo mestre cervejeiro, José Pereira Lima, que há cerca de 40 anos trabalha nesta vertente do mercado amazonense. Sendo um dos sócios proprietários da “Cervejaria Rio Negro”, com sede em Manaus e nascida em 2014, ele viu o surgimento da demanda por cervejas – sobretudo as artesanais – aumentar e também consolidação da marca em meio a um mercado tido como “carente de opções”. 

“Hoje o mercado cervejeiro é muito amplo, com diversidade e qualidade, então você não pode ter apenas um único produto. Aí você tem 50% de chance de fracasso, porque o consumidor vai gostar ou não gostar da sua cerveja, não tem meio termo. Mas a partir do momento que você apresenta um leque de opções, as suas chances de ganhar o cliente aumentam muito. Então há essa necessidade no mercado local, que ainda é carente [de mais marcas e empresas especializada]”, opina o mestre cervejeiro. 

A reportagem de A CRÍTICA teve acesso a sede da Cervejaria Rio Negro, localizada no bairro Cidade de Deus, zona Norte de Manaus. No local trabalham apenas 15 pessoas, e todo o maquinário possui uma capacidade de produzir até 260 mil litros de cerveja – atuando atualmente com apenas 40% da capacidade total.  

Ainda segundo a diretoria da empresa, outras cervejarias artesanais alugam o espeço para produzir seus respectivos produtos – sendo intituladas de “Cervejarias Ciganas”.  

José Pereira Lima é mestre cervejeiro e trabalha neste ramo há décadas, sendo um dos fundadores da Cervejaria Rio Negro (Foto: Arlesson Sicsú)

A empresa atende atualmente em todo o Amazonas 95 choperias, entre Manaus e outras quatro cidades – sendo que para algumas dessas localidades o produto acaba sendo transportado de barco, demandando maior logística. Segundo José Pereira Lima, este trabalho seria melhor executado se outras empresas e marcas chegassem para o Estado, havendo assim uma expansão deste mercado. 

“O que nós queremos hoje é trazer mais [marcas e empresas], para que assim a gente consiga estabelecer esse mercado. Porque ainda há pessoas que não conhecer a cerveja artesanal, e se limitam ao que é vendido em supermercados. Então a gente precisa de mais pessoas, mais ideias e com novas receitas para cervejas. Queremos trabalhar juntos”, afirma Lima. 

O mestre cervejeiro conta também que este mercado pode melhorar mais a nível de Estado a partir do momento que houve uma maior quantidade de mão de obra qualificada – algo ainda escarço. “Quando é uma parte especifica de um trabalho, é bem complicado de conseguir mão de obra, mas a maioria das equipes é meio que formada do zero”.  

A falta deste material humano acarreta também em questões econômicas, tendo em vista que segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cada emprego em uma cervejaria, outros 34 novos postos de trabalho são criados na cadeia produtiva. 

“A indústria da cervejeira é um dos principais setores que contribui para geração de empregos e retomada econômica do país, que movimenta uma das extensas cadeias produtivas responsável por 2,02% do PIB, geração de mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos”, afirma o superintendente do Sindicerv, Luiz Nicolaewsky. 

Perdas durante a pandemia

O Dia internacional da Cerveja deste ano também busca comemorar uma retomada deste mercado, que segundo Nicolaewsky e Lima também foi afetado fortemente pela Pandemia da Covid-19. Isso porque mesmo havendo a possibilidade da compra por delivery, o fechamento das cervejarias teve um grande impacto na renda deste nicho mercadológico. 

“As pessoas pensam que o consumo de cerveja neste periodo [de pandemia] não diminuiu, o que foi na verdade o contrário. Caiu muito. As pessoas ainda não estavam acostumadas totalmente com o delivery, e cerveja – artesanal ou não - sempre foi algo mais para se fazer em roda de amigos em algum local. Vejo com otimismo essa retomada”, opina José Lima. 

“[Apesar destes problemas] para mim é muito prazeroso, e o que sei fazer de melhor nessa vida é cerveja. É também um desafio, porque é um produto complexo e com um público específico e exigente. Existe uma maior proximidade com o público, e o nosso desafio é manter o padrão de qualidade”, conclui o mestre cervejeiro. 

Cerveja e Saúde

De acordo com um estudo publicado na revista Journal of Agricultural and Food Chemistry, o hábito de beber cerveja aumenta o número de bactérias boas no intestino, o que pode reduzir o risco de desenvolver doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Já segundo um estudo do Di Castelnuovo e colaboradores, publicado em 2002, o consumo moderado de cerveja pode reduzir em 21% o risco de doença coronária e em 33% o risco do AVC.  

Segundo outros estudos científicos, entre eles das revistas Journal of the Science of Food and Agriculture e Annals of Nutrition and Metabolism, algumas das outras vantagens trazidas pelo hábito de beber cerveja moderadamente são: manutenção de rins saudáveis, redução de riscos de câncer e aumento de imunidade.

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