Definição sobre se os acusados irão a júri popular teve início em 20 de março. Por diversas vezes, houve suspensão, inclusive por obstáculos como a conexão de internet, que impede a participação deles por vídeo
Imagem em homenagem a Dom e Bruno, mortos no Amazonas (Ueslei Marcelino/Reuters)
Está marcada para esta segunda-feira (17) a retomada da audiência de instrução dos acusados pela morte do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, no Vale do Javari, região oeste do Amazonas, em 2022.
Além desta segunda-feira, a audiência realizada no Fórum da Justiça Federal em Tabatinga, interior do Amazonas, também deve acontecer nos dias 20 e 27 de julho.
Em nota, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) informou que tem acompanhado e se mantido isenta na condução do processo que ocorre em segredo de Justiça.
O procurador jurídico da Univaja, Eliésio Marubo, destacou que só irá se pronunciar após o término das audiências.
A TI Vale do Javari convive com um mosaico de diversas dificuldades, sendo as principais o comércio ilegal de madeira, o desmatamento, a caça e a pesca ilegais e o garimpo ilegal. A região é habitada por cerca de 6,3 mil pessoas, pertencentes a 26 povos e divididas em 64 aldeias.
O local centraliza o maior número de povos em isolamento voluntário do mundo, grupos que optam por manter distanciamento de não indígenas. Ao todo, são 19, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), como os mayuruna/matsés, os matis, os kulina pano, os kanamari e os tsohom-dyapa.
Em 5 de junho de 2022, o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados durante uma viagem pelo Vale do Javari, segunda maior terra indígena do Brasil, no extremo-oeste do Amazonas.
Os três acusados estão em presídios federais em outros estados e serão ouvidos por videoconferência.
O depoimento faz parte do processo que vai definir se os três réus, Amarildo da Costa de Oliveira, Oseney da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima, irão a júri popular.
As audiências deles chegaram a ser agendadas para o último dia 17 de abril, mas foram adiadas a pedido dos advogados de defesa, que solicitaram videoconferências reservadas para as oitivas.