Produtores culturais, como João Fernandes, do Casarão de Ideias, e Michel Guerrero, do projeto Cine Carmen Miranda, impulsionam a reocupação do Centro de Manaus.
Mais que uma sala de exibição, o Cine Carmen Miranda, projeto do ator Michel Guerrero, retorna para mais um capítulo na cena audiovisual de Manaus. (Foto: Daniel Brandão/AC)
Manaus vive um movimento de reocupação e requalificação do Centro Histórico. Essa ocupação de espaços tem sido impulsionada por produtores culturais, que mobilizam agentes da cultura, empreendedores criativos e a própria população a se reconectar com a identidade urbana da cidade e assumir protagonismo nesse processo. Mais que uma sala de exibição, o Cine Carmen Miranda retorna para mais um capítulo na cena audiovisual de Manaus.
Inaugurado em 1986 com 150 lugares, o cinema localizava-se na avenida Joaquim Sarmento com a rua 24 de Maio, e fechou 1992. Hoje, o cinema retorna ao Centro de Manaus, ao lado da Praça do Congresso. Em 1987, aos oito anos, o diretor e ator Michel Guerrero trocava os cartazes do antigo cinema — fase retratada no documentário que dirigiu em 2020. A memória afetiva foi o ponto de partida para o projeto Cine Carmen Miranda, viabilizado por meio de leis de incentivo à cultura do Governo Federal.
O projeto de Guerreiro é um resgate histórico.
O cinema retorna ao Centro de Manaus, ao lado da Praça do Congresso. Guerrero, aos oito anos, em meados da década de 80, trocava os cartazes da antiga sala de cinema. (Foto: Daniel Brandão)
Novos Espaços
Para Guerreiro é preciso fomentar novos espaços.
Em direção ao segundo ano, o projeto Cine Carmen Miranda tem entrada gratuita para 50 lugares.
Confira a programação semanal no @carmenmirandacine.
Ideias de um casarão
As ideias que surgiram de um prédio, situado na rua Barroso, despertaram novamente a vontade de frequentar o Centro. Com 15 anos de fundação, o Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI), é responsável por reocupação cultural.
João Fernandes, diretor do Centro Cultural Casarão de Ideias. Precursor do movimento de reocupação cultural do Centro de Manaus. (Foto: Daniel Brandão)
A Escola Estadual Saldanha Marinho, situada na rua homônima, foi tombada em 1988 como Monumento Histórico do Estado. Agora, o prédio passa por uma reforma para ser a nova sede do CCCI. O lugar deve contar com cinema, mirante, galerias e potenciais culturais. A inauguração está prevista para fevereiro de 2026. Para João, uma cidade é feita de história, memória e afeto. E a edificação devolverá esses sentimentos a Manaus.
O Casarão de Ideias, na rua Barroso, tem duas salas de cinema, biblioteca, galeria, livraria, sala de espetáculo, ateliê, sala multiúso e os cafés. O lugar recebe, aproximadamente, 250 pessoas por dia. Cerca de 15 mil pessoas compareceram no “Te Encontro na Barroso”. Na programação ainda consta o “Festival Literário”, o festival “Cine Casarão” e para novembro, o retorno do festival de dança “Mova-se”. Na avaliação do diretor, a população quer está no Centro de Manaus.
- A população é louca para estar no Centro - declarou Fernandes em entrevista ao A Crítica. (Foto: Daniel Brandão)