TRANSPORTE FLUVIAL

Navegando pelos encantos do rio Negro: o papel dos pilotos fluviais na rota turística de Manaus

Conheça o dia a dia do trabalho dos profissionais que atuam no transporte fluvial de passageiros, vindos de vários lugares do Brasil e do mundo

Lucas Vasconcelos
cidades@acritica.com
03/06/2023 às 09:00.
Atualizado em 03/06/2023 às 09:19

Arlen Silva, 26, transporta centenas de pessoas diariamente (Foto: Márcio Silva)

A Marina do Davi, localizada na zona Oeste de Manaus, é o ponto de partida para diversos destinos turísticos no rio Negro. Sejam flutuantes, comunidades ribeirinhas, praias como a 'Praia da Lua', 'Praia do Tupé' e até o Museu do Seringal - importante instalação que possui grande acervo histórico no meio da floresta amazônica.

E, para acessar esses destinos, só é possível graças ao trabalho de profissionais que atuam realizando o transporte fluvial de passageiros vindos de vários lugares do Brasil e do mundo.

Um destes profissionais é o piloto fluvial que  é responsável por dirigir as embarcações que levam ribeirinhos, turistas, mercadorias e até outros profissionais que realizam ações de saúde em terras dispersas no meio do rio.

Em entrevista à reportagem de A CRÍTICA, o comandante Arlen Silva, 26, que trabalha como piloto fluvial há quase 10 anos, conta como surgiu o interesse em navegar.

“Meu tio e meu irmão já pilotavam barcos e lanchas. Via eles dirigindo as embarcações e daí surgiu o interesse. Quando completei 19 anos, fiz o curso de pilotagem na Capitania dos Portos, consegui a certificação e logo depois comecei a trabalhar transportando os passageiros”, destacou o comandante.

A rotina dos navegantes

Os pilotos fluviais e demais funcionários da Marina do Davi se organizam em associação, a Cooperativa dos Profissionais de Trasporte Fluvial da Marina do Davi (Coop-ACAMDAF).

Segundo o comandante Evanildo Teles, há saída todos os dias, das 7h às 18h. As embarcações partem de hora em hora ou quando se completam os lugares. Há lanchas que suportam de 30 até 50 passageiros.

“Ao todo somos 52 pilotos fluviais da cooperativa. A escala é dividida em duas equipes, cada uma com 26 pilotos. Os 26 que trabalham em um dia, descansam no dia seguinte, e assim sucessivamente”, descreveu Teles.

Marina do Davi é o point de saída para diversas comunidades e praias (Foto: Márcio Silva)

O impulso do verão amazônico

Questionado como é o movimento dos passageiros na semana, o comandante explicou que não é algo definido, mas que no fim de semana é o melhor período para trabalhar.

“Durante a semana, o melhor dia é segunda-feira. Tem muita gente que vem das comunidades ribeirinhas para fazer compras na capital, ou para trabalhar também. O pior dia é quarta-feira porque fica no meio da semana. Geralmente transportamos até mil passageiros por dia. Agora o fim de semana é o melhor movimento. Já aconteceu de transportamos mais de 3 mil passageiros em um único dia”, descreveu Teles.

Com a chegada do verão amazônico e a subida dos rios, o comandante acredita que o movimento vai se impulsionar

“A gente transporta muita gente quando o rio tá cheio e também no calor. As pessoas gostam de aproveitar na praia da Lua, na praia da Tupé. Muitas pessoas vão para tomar banho de rio”, acrescentou Teles.

Limites do rio Negro

Outro ponto importante é o nível do rio Negro, segundo Arlen, as lanchas neste período de cheia podem transitar de forma tranquila. Entretanto, em alguns pontos não é possível chegar quando o rio está na vazante.

“Uma lancha consegue navegar tranquilamente até 3 metros de profundidade do rio. Abaixo desse nível, só dá para ir até os lugares de rabeta. Quando estamos em período de saca, a lancha só consegue ir até a Comunidade do Livramento. E isso, é algo que muitos ribeirinhos não entendem, pensam que não queremos buscá-los. Mas a gente é responsável por transitar de forma segura”, acrescentou Arlen.

Aspirante a navegador

Questionado sobre os jovens que desejam se tornar pilotos fluviais,  o comandante aconselha que é preciso estudar e se regularizar, pois é uma profissão que demanda dedicação e competência.

“Não sei dos detalhes específicos de como se tornar um piloto fluvial, pois algumas etapas podem ter mudado. Mas o básico é você fazer um curso na Capitania dos Portos, estar com a embarcação toda regularizada e depois buscar a cooperativa para saber quais os critérios para poder trabalhar transportando passageiros”, aconselhou Arlen Silva.

Trajeto até à comunidade  Amazonino Mendes

A equipe de reportagem acompanhou o trajeto do comandante Arlen Silva e seu auxiliar Anderson da Marina do Davi até à Comunidade Agrícola Amazonino Mendes e verificou como é a rotina dos profissionais do transporte fluvial.

Em uma embarcação com a capacidade de 46 passageiros, o trajeto dura aproximadamente 1h30 devido às paradas nos pontos como as praias e comunidades ribeirinhas.

A cada ponto em que desciam os passageiros, o auxiliar observava a distribuição de peso em cada lado da lancha. Segundo Anderson, às vezes é preciso pedir para os passageiros se deslocarem para o outro lado com o intuito de manter o equilíbrio.

“Temos sempre que ficar de olho na inclinação da lancha. Quando a gente percebe que está começando a tender para um lado, a gente vai até o passageiro e pede para trocar de lugar para manter o equilíbrio. Porque se não fica difícil navegar. Até também para dar conforto ao passageiro para ele não ficar torto durante a viagem”, descreveu o auxiliar de navegação.

Segurança em primeiro lugar

Além de ser observada a inclinação das embarcações, outro ponto que deve ser analisado são os obstáculos que surgem no rio.

Em certo momento durante o trajeto, o comandante Arlen precisou diminuir a velocidade da lancha para que as hélices do motor não encostassem em galhos de árvores que ficam submersas no rio.

“Precisamos sempre estar atentos no caminho. Por exemplo esse galho que é quase da cor do rio. Se não prestarmos atenção podia bater na hélice e isso daria um prejuízo para a lancha, fora outras questões de segurança. O prejuízo de uma hélice danificada pode ser de R$ 250 uma simples manutenção até mais de R$ 1 mil para uma troca completa”, pontuou Arlen.
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