EDITORIAL

Dilemas do mercado de trabalho

O Amazonas registrou, em maio, saldo de 4,1 mil novos empregos com carteira assinada

acritica.com
29/06/2022 às 07:30.
Atualizado em 29/06/2022 às 07:30

O Amazonas registrou, em maio, saldo de 4,1 mil novos empregos com carteira assinada (Foto: Divulgação Moto Honda)

Os índices de emprego formal no País seguem em recuperação, ainda que lenta, alimentando a esperança por dias melhores em face da alta no custo de vida provocada pela inflação, juros altos e incertezas da economia. Mesmo com todas as adversidades do cenário atual, o Amazonas registrou, em maio, saldo de 4,1 mil novos empregos com carteira assinada, mantendo-se praticamente estável em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, o Estado tem resultado positivo com saldo de 12,9 mil postos formais de trabalho.

No entanto, algumas preocupações surgem a partir da análise dos dados. Uma delas é o fato de que a indústria de transformação, que ainda é o motor da economia amazonense, teve participação negativa na dinâmica do mercado de trabalho. Há muito tempo não se via a Zona Franca de Manaus demitindo mais do que contratando. Foi o que aconteceu em maio último, quando as dispensas superaram as admissões em 86 postos. Além do desaquecimento atual da economia, que freia a produção e a geração de empregos, o Amazonas enfrenta também a desmobilização em setores atingidos pela redução de IPI promovida pelo governo federal.

O resultado positivo do Estado foi assegurado pelo desempenho dos demais setores, principalmente serviços, responsável pela criação de mais de 2,7 mil novos empregos em maio, assim como o comércio, que apresentou saldo de 928. Porém, não se pode perder de vista que o mercado de trabalho no Amazonas, especialmente em Manaus, onde se concentra grande parte da massa de trabalhadores formais, é composto por sistemas interdependentes, como já foi demonstrado em diversos trabalhos acadêmicos: os milhares de trabalhadores do Distrito Industrial de Manaus aquecem o consumo nos setores de comércio e serviços, de modo que a queda no volume de empregos na indústria se reflete diretamente na oferta de vagas nos demais setores da economia local.

Por enquanto, sem que o Amazonas tenha uma alternativa real e viável à indústria de transformação, é essencial defender a Zona Franca de Manaus, sob pena de vermos a economia e a oferta de empregos definhando nos próximos anos. Ao mesmo tempo, deve-se apressar o passo na viabilização de antigos potenciais, como a exploração de potássio.

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