Sábado, 17 de Abril de 2021
Editorial

110 anos de luta das mulheres


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08/03/2021 às 07:21

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, é uma data diretamente relacionada a trabalho, sacrifício e luta por direitos. Muitas datas comemorativas, como Dia dos Namorados, Dia das Mães e Dia das Crianças, são invenções do comércio com um objetivo bem específico, vender mais. No Brasil, a estratégia funciona muito bem. Mas o 8 de março é diferente. É resultado de décadas de engajamento político feminino e luta das mulheres por igualdade e reconhecimento do seu valor. A data faz referência a um episódio trágico, tomado como símbolo dessa luta. Na Nova York de 1911, 129 operárias de uma fábrica têxtil morreram carbonizadas em um incêndio. O caso expôs as péssimas condições de trabalho e segurança precária das instalações fabris. Em meio aos frequentes protestos e greves por melhores salários e ambiente mais salubre, era comum que as fábricas permanecessem com as portas trancadas durante o expediente como forma de prevenir levantes. Por isso as trabalhadoras morreram.

110 anos depois, houve avanços, é claro, mas as disparidades entre homens e mulheres ainda são muitas, e ficam ainda mais evidentes em um cenário de crise como o que estamos enfrentando. Além das diferenças salariais para o exercício da mesma função, e da discriminação no mercado de trabalho, as mulheres também enfrentam assédio, maior desemprego e violência doméstica, entre outros problemas... Com 14 milhões de desempregados no Brasil, a taxa entre as mulheres ultrapassa 17%, sendo 14% entre os homens. Segundo dados do Banco Mundial, o risco de perder o emprego é 40% maior para as mulheres. A remuneração também é diferente. O salário médio das mulheres equivale a  77,7% do salário da mão de obra masculina no Brasil. A violência doméstica é outro problema em ascensão.

Levantar questões como essas ainda é visto por muitos como “mimimi”, e há até quem defenda que a própria existência de um Dia Internacional da Mulher tenha apenas o efeito de aumentar a desigualdade, pois criaria um “diferimento anormal”. Mas a desigualdade, a discriminação, o menosprezo e a violência contra mulheres são questões bem reais. O 8 de março é apenas uma oportunidade a mais para evidenciar a necessidade de mudança e renovar a esperança por um mundo menos desigual e mais justo.


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