Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
Editorial

130 anos de desigualdade


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17/11/2019 às 10:22

Invenção dos gregos, aprimorada ao longo de séculos, a República é uma forma de governo que privilegia o interesse público. Não à tôa, a palavra deriva de “res publica”, que significa coisa pública, o “bem comum”. No Brasil de 1889, o advento da República teve como fundo principal o anseio em desvincular-se de vez da influência portuguesa na política nacional, o que só se daria com o fim da monarquia. Não foi um movimento marcado pela pressão popular nas ruas, tanto que os líderes republicanos tiveram que tramar e executar um golpe militar para depor o imperador. 

A despeito das circunstâncias, o fato é que a República veio, e colocou nas mãos do povo a responsabilidade de escolher aqueles que comandariam o destino da Nação, ou seja, o presidente da República, prefeitos, governadores e parlamentares. O princípio é de que a participação do povo na formação de administrações temporárias, contribui de forma mais eficaz que a antiga monarquia para o alcance do bem estar da população. Entenda-se por bem-estar: bons serviços de saúde, de educação, de saneamento, de transporte... além de uma condução adequada da economia, criando uma sociedade com oportunidades iguais para todos. Essa, pelo menos, é a ideia.

Ocorre que, passados 130 anos desde que o Marechal Deodoro da Fonseca desfilou pelas ruas do Rio de Janeiro com a espada em punho proclamando a República, as desigualdades persistem no Brasil - sobrevivendo às transformações sociais - nos mais diversos aspectos. A concentração extrema de renda, os tratamentos desiguais a mulheres e negros, o abismo entre os sistemas de ensino público e privado são apenas alguns exemplos de um eterno dilema brasileiro.

Dados do IBGE mostram que a diferença salarial entre homens e mulheres chega a incríveis 28%. É o que ocorre em Mato Grosso do Sul, de acordo com os números mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua). Da mesma forma, dos 12,8 milhões de desempregados do País, 64% são negros ou pardos: dois em cada três desempregados. A República no Brasil só fará jus a seu significado quando a política e a economia, a serviço do bem público forem capazes de promover a igualdade entre os brasileiros. Ainda não estamos nesse caminho, mas podemos chegar lá.


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