Sábado, 19 de Junho de 2021
Editorial

500 mil mortes durante a Copa América


copa-america-800x444_14E263A2-EE7B-4BD5-9BF4-24BC2E57DA85.jpg
11/06/2021 às 07:44

O Supremo Tribunal Federal formou, na tarde de ontem, maioria para autorizar a realização da Copa América no Brasil. A abertura está marcada para domingo, 13, com a partida entre Brasil e Venezuela no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Desde que o País foi anunciado como sede do torneio continental, após Argentina e Colômbia desistirem de receber os jogos, o assunto tem ocupado o topo das polêmicas nacionais. Não é à toa: o Brasil caminha para as 500 mil mortes por Covid-10, marca que deve ser alcançada em no máximo duas semanas se o número de mortes - com tendência de alta - continuar como está. A realização da Copa América, que termina dia 10 de julho, pode até estar dentro da lei, mas no atual contexto é descabida. Não há clima no País, e autoridades com um mínimo de sensibilidade teriam percebido isso.

Ontem, os ministros do STF mandaram recados ao presidente Jair Bolsonaro (“padrinho” do torneio, segundo o presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, Alejandro Domínguez) e destacaram a necessidade de a competição seguir medidas sanitárias a fim de evitar a propagação da Covid-19. Eles julgaram em conjunto três ações contra o torneio. Nas três são alegados motivos sanitários para a não realização da Copa América. Na visão da maioria, o poder de autorizar ou não a realização do evento cabe somente ao Executivo, seja local ou nacional. O que cabe ao Supremo é exigir que o Poder Público planeje e cumpra medidas sanitárias para mitigar o risco de disseminação do novo coronavírus, compreendeu a maior parte dos ministros.

Relator de uma das ações, Ricardo Lewandowski chegou a propor que até 24 horas antes do início da Copa América, fosse apresentado um plano “compreensivo e circunstanciado” para impedir o avanço da covid-19 durante o torneio. Ele criticou “a maneira repentina” com que foi feito o anúncio do Brasil como sede e disse que “a população brasileira tem o direito de saber, de forma detalhada, quais as medidas de segurança que serão empreendidas pelas autoridades públicas durante a realização desse evento esportivo internacional, para que, no mínimo, possa aplacar o natural temor que a acomete de infectar-se com a covid -19”.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.