Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
Editorial

A Amazônia e o governo federal


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12/02/2020 às 09:20

A criação da secretaria da Amazônia, com possível sede em Manaus, revela a profunda falta de comunicação na esfera do primeiro time do governo federal. O que fazer com a Amazônia? E cada ministro apresenta uma resposta a partir de visões muito pessoais não raro equivocadas e discriminatórias. Soma-se a esses posicionamentos a postura do presidente da República que segue pensamento parecido aos da sua equipe.

São formulações apresentadas no plano imediatista como resposta governamental a problemas que se arrastam há muito tempo. A criação de instâncias como uma secretaria da Amazônia poderá resolver, no âmbito do governo, problemas relacionados a abertura de cargos para acomodar aliados ou quitar compromissos, mas não terá resultado positivo para inserir a Região Amazônica em um plano de desenvolvimento nacional. O próprio plano é uma pergunta: ele existe?

Experiências acumuladas no trato da Amazônia deveriam ser olhadas com atenção pelos ministros e técnicos do governo federal e delas extraírem elementos para pensar, conjuntamente, uma proposta de ação governamental nessa parte do Brasil. E essa formulação não pode ser feita em círculo fechado, exige dialogar com as representações de governos estaduais, prefeituras, sociedade, instituições de ensino, pesquisa, dos setores produtivos e de trabalhadores e dos inúmeros segmentos como seringueiros, agroextrativistas, pescadores, e populações nativas que.

O não diálogo produz prejuízos profundos e mantém uma conduta governamental que se caracteriza por apartar a Amazônia e suas populações de um plano nacional de desenvolvimento concebido a partir das especificidades regionais. A secretaria da Amazônia aparece como mais um arroubo para, em seguida, acomodar situações de conflitos que não podem e não devem ser acomodadas. E é mais uma fala em torno de possíveis iniciativas do governo federal para a região que se vistas pela ótica da responsabilidade e da sensatez irão expor as controvérsias entre elas, a sobreposição entre órgãos existentes que aguardam ser revitalizados para cumprir uma pauta de objetivos regionais válidos. Tais instâncias, instituídas há décadas, podem responder as demandas que a Amazônia apresenta, se bem administradas, o que significa possuir equipe técnica competente e gestores capazes de exercitar o conhecimento que produza compreensão sobre as diferentes amazônias que a Amazônia abriga. Até agora, lamentavelmente, o governo brasileiro demonstra inabilidade nessa direção e atropelos entre os atos e discursos da equipe de gestores.


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