Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
Editorial

A Amazônia e os projetos político-religiosos


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04/11/2019 às 07:30

A Amazônia carrega uma condição de centralidade na vida do mundo que não está nas mãos de uns poucos governantes, é marca para cidadãos da Terra. E, na atualidade, enfrenta o discurso fortemente elaborado de determinado grupo de defensores que escondem nas etiquetas as motivações de seus compromissos. São esses reais compromissos e ou interesses que precisam ser descobertos e debatidos pelas populações amazônicas para que tenham maior volume de informações e possam decidir o mais livre possível se os endossam ou não.

Há poucos dias, encerrou em Roma o Sínodo Especial para a Amazônia, muito pela determinação do Papa Francisco, um sacerdote mais próximo aos dramas da América Latina e que chegou ao posto de autoridade máxima da Igreja Católica. O pós-sínodo aguarda a continuidade das ações e muita disposição para levar adiante as propostas aprovadas na reunião dos bispos no Vaticano a fim de que sejam implantadas e posam vir a ser consolidadas. A Amazônia enquanto região estratégica no mundo precisa disso e o mundo precisa mais ainda de uma Amazônia viva e ecologicamente desenvolvida, para sobreviver, respirar melhor.

A matéria do jornalista Paulo André Nunes, publicada na edição de domingo deste jornal, coloca em pauta, mais uma vez, um importante debate em torno das questões que envolvem a Amazônia. Dos projetos desenvolvimentistas, das ações que grupos de investidores e exploradores internacionais estão nesse momento realizando, dos projetos político-religiosos e do movimento nacional em dois eixos, um articulado pelo novo governo brasileiro e, o outro, pelas organizações do movimento popular. No embate, há a possibilidade de conhecer um pouco mais das propostas e saber quem ganhará e quem perderá com elas.

As populações mais fragilizadas, indígenas, quilombolas, extrativistas, pequenos agricultores e pescadores são as que estão na mira da violência carregada por muitos desses projetos. Os assassinatos de líderes indígenas, o mais recente ocorreu na sexta-feira que tirou de cena Paulo Paulino Guajajara, é uma recorrência, enquanto a lentidão das autoridades brasileiras para dar um basta sinaliza com uma condução de quase cumplicidade com os autores desses crimes. A Amazônia pede agentes religiosos que queiram vê-la no conjunto e em sua diversidade, não domestica-la e molda-la a um tipo divino que ignora seus deuses e quer civilizar indígenas.
 


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