Domingo, 15 de Setembro de 2019
Editorial

A Amazônia entre deliberações


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03/09/2019 às 07:56

O encontro de governadores dos Estados da Amazônia com uma equipe ministerial nas cidades de Belém, ontem (2), e de Manaus, hoje (3) é mais uma oportunidade para que um programa de ações governamentais na e para a Região Amazônica seja formulado considerando o que é fundamental nessa parte do mundo. Conhecer e entender a complexidade amazônica. Não para repetir os erros do passado em nome de interesses de terceiros e que representaram, em várias áreas, fracassos retumbantes e prejuízos até hoje não superados.

Cabe aos governadores dos Estados da Amazônia brasileira a responsabilidade de incluir e defender os interesses da região naquilo que a diferencia fundamentalmente das outras regiões do Brasil e do mundo. O que significa enfrentar uma lógica de desenvolver a Amazônia a partir de iniciativas megalomaníacas e de ignorância em relação ao que é a região. Não faltam pesquisas respeitadas, trabalhos científicos que incentivam outras práticas e um direcionamento para o desenvolvimento sustentável. Estes têm sido deixados de lado para dar lugar aos projetos impostos de fora para dentro cuja referência é a de retirar os bens que a Amazônia abriga.

As linhas que definem o projeto de desenvolvimento do governo brasileiro apontam para avançar a exploração da Amazônia por razões que estão vinculadas à financeirização da economia e nessa direção a região será um espaço a ser expropriado, todo o patrimônio que abriga tende a ser tratado escancaradamente como um negócio, um objeto a ser comercializado. Os povos indígenas, as comunidades quilombolas, a floresta, a água, outros minérios são vistos nesse tipo de desenvolvimento como mercadoria. E no que diz respeito aos povos indígenas, a maneira violenta com que o governo federal os trata, as intenções, declaradas pelo presidente da República, de não demarcação de terras indígenas, revisão daquelas terras demarcadas e ‘civilizá-los’ para que sejam cidadãos brasileiros são demonstrações graves da disposição de implantar em definitivo no ambiente amazônico o que poderá vir a ferir gravemente as formas de vida na região. Nessa lógica, como demonstra a história, alguns grupos de investidores se beneficiarão dos lucros e a maioria das populações se constituirá numa massa de remediados e indigentes com aguçamento da violência em todas as modalidades.

As decisões resultado da reunião dos governadores e dos ministros necessita ser debatida pelas populações amazônicas, as que serão afetadas diretamente por elas.


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