Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

A banalização da vida no Brasil


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05/04/2020 às 01:24

A pandemia do novo coronavirus não atinge o Brasil somente na contaminação de milhares de pessoas e no saldo até agora de mais de 300 mortes, ataca a estrutura governamental e escancara a inabilidade presidencial e de parte da equipe do primeiro escalão em lidar com situações dessa ordem.

Hospitais lotados, falta de equipamentos, de leitos, profissionais médicos e de enfermagem exaustos, adoecendo em série enquanto o que os brasileiros veem é um presidente da República gastando tempo em promover desentendimentos, criar factoides e gerar confusão sobre quais ações o governo conseguiu executar e o que não conseguiu. A instabilidade produzida pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus filhos empurram o país para novos confrontos e estimulam setores da população à negar as recomendações médicas o que tende a agravar ainda mais o atendimento hospitalar e ampliar o número de mortes que poderia ser evitadas.

É constrangedor à nação brasileira viver tais atitudes e, mais que isso, é uma ameaça que se estende principalmente à parcela mais desprotegida, os idosos, as pessoas portadoras de morbidades, os mais pobres. Ou seja, a maior fatia da população. O tempo e a energia utilizados pela família presidencial e, especificamente, pelo presidente poderiam ser dedicados a oferecer respostas decentes e responsáveis do Governo Federal às demandas emergentes; para aproximar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na tomada de ações conjuntas. Ao contrário, parte do Executivo recorrentes ataques a esses poderes e convocatórias de segmentos da população para engrossarem essas agressões. 

É como se o Brasil vivesse uma fase de completa estabilidade, longe da pandemia e apenas com demandas geradas a partir das futricas políticas-partidárias. Há uma postura de irresponsabilidade por parte do chefe do executivo brasileiro que ultrapassou o limite do aceitável. A confusão estabelecida neste momento alcança os estados e os municípios onde as pressões da população ganham corpo e podem ser sentidas. Ao decidir por esse tipo de jogo, o comando do governo nacional aposta naquilo que seu ministro da Educação chamou de balbúrdia, ampliando-a para toda a sociedade.

A recomendação dos organismos internacionais, como Organização Mundial da Saúde (OMS), e do Ministério da Saúde do Brasil para suspensão de atividades e isolamento social é colocada em xeque pelo presidente da República que tenta romper o elo dessa orientação banalizando a pandemia no Brasil.


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