Domingo, 21 de Julho de 2019
Editorial

A bola da Copa Feminina de futebol


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08/07/2019 às 08:25

Recorde de audiência, profusão de histórias de superação pessoal e de enfrentamento à negação sistemática de direitos, momentos inesquecíveis e posicionamentos críticos históricos para que o próximo momento possa ser diferente. Assim encerra a Copa Mundial de Futebol Feminino. Os recados estão espalhados em todos os cantos do mundo e, desde a primeira Copa de Futebol Feminina, em 1991, esta, a oitava, é um êxito tanto pelo espetáculo das disputas quanto pela outra performance para além do campo onde as equipes de enfrentaram.

Ao Brasil, que soma talentos na modalidade esportiva feminina, fica a direção a ser seguida e é convocado a assumir responsabilidade. A Seleção Feminina de Futebol fez uma caminhada marcante e caminha determinada, tem conseguido ir muito mais longe mais por esforço individual do que pelo resultado de um planejamento que aposte e invista no futebol feminino.

Caberá muito a essas garotas jogadoras a tarefa de não deixar esquecer, de soltar a voz e de ir em frente tanto no campo da disputa entre as equipes quanto no campo da resistência política pela inclusão. A segundarização, expressão da desvalorização com que as mulheres jogadoras são tratadas no Brasil, permanece em vigor; ao mesmo tempo a mobilização mundial e nacional das mulheres ganhou expressividade, colocou questões importantes em debate e, no item audiência, motivador de uma série de negócios, demonstrou o quanto o futebol feminino mobiliza, mesmo submetido a um esquema de desvalorização e desqualificação.

As grandes disputas em modalidades como a de futebol têm servido para colocar em campo inúmeras questões políticas diretamente vinculadas aos posicionamentos governamentais e de organizações que podem, nesse setor, impulsionar ou frear o avanço da formação. No Brasil, até agora, a decisão tem sido pela negação de oportunidade, pelo distanciamento na tomada de decisão, bem diferente do que ocorre com o futebol masculino. No item salários, a expressão da desigualdade está escancarada e, em vários episódios, se apresenta de forma violenta, como no caso dos patrocinadores que elevam valores para atletas homens e rebaixam ao máximo aqueles destinados às mulheres jogadoras. A campanha da jogadora Marta, nos campos desta Copa, deve continuar a ecoar em todo o território brasileiro, os campinhos inventados onde as garotas sonham ser Marta, Cristiane, Formiga. Que a bola lançada pelas garotas do futebol circule firme e determinada para virar o jogo da desigualdade.


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