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Editorial

A cavalgada dos insensatos

02/10/2017 às 23:05 - Atualizado em 03/10/2017 às 01:28
Show editorial 123

O terror é a face mais visível de um profundo e complexo fenômeno que está contaminando rapidamente as relações humanas em todas as partes do mundo. Por assim dizer, ele é filho dileto da intolerância, da incapacidade que muitos têm de conviver com as diferenças, com a diversidade e visões de mundo opostas.

Este problema está inserido em praticamente todas as áreas da vida social, a começar pela institucional. Neste particular, temos na guerra verborrágica travada entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Coreia do Norte, Kin Jon-Un, a melhor tradução do problema. Como pode um alto dirigente de um país, da única superpotência, ir à  assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão criado para ser a casa da diplomacia, do diálogo internacional, e lá dizer calmamente que se provocado vai exterminar um povo por completo? Na resposta, o ditador usa de seus piores palavrões para chamar o colega norte-americano de tudo o que não presta. É intolerância em estado mais puro, mas não sua única tradução.

No Brasil, há tempos, vivemos dias complexos e com ânimos acirrados entre pessoas por conta da política, mas a intolerância que revela a ignorância maior de quem é incapaz de conviver com o outro agora atinge a arte. Primeiro um grupo nazifascista ataca uma exposição em Porto Alegre na qual estava em tela a questão da diversidade em nosso País. A histéria contra a comunidade LGBT toma então conta das redes sociais, hoje o principal mecanismo de disseminação de ódios e intolerâncias. Em seguida uma performance artística, de mal gosto diga-se de passagem, é atacada por mostrar no mesmo cenário crianças e um homem nu. Se fosse uma mulher nua, como nos programas infantis de outrora, a intolerância seria a mesma? Claro que não. Na pusilanimidade da crítica são invocados até artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, que em momento algum foi ferido naquela experiência artística.

 O final deste processo ninguém sabe, mas o atirador de Las Vegas, que na noite de domingo abriu fogo contra 40 mil pessoas que  curtiam um show de música country, dá bem a ideia de onde podemos chegar quando não conseguimos mais dialogar, se colocar no lugar do outro ou cultivar a tolerância para com o nosso próximo, a quem, como ensinou Jesus Cristo, devemos amar.