Sexta-feira, 07 de Agosto de 2020
Editorial

A cidade cheia de problemas


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13/07/2020 às 08:16

O retorno ao novo normal em Manaus demonstra o laço atávico pelo velho egoísmo que caracteriza a sociedade mundial e local e se expressa na contínua negação do outro. A cidade cheia de tantos carros, comércio, gente aglomerada, transporte urbano lotado está de volta e, é preciso reconhecer, sem mudança promissora.

Esse cenário não pede um cruzar de braços para contemplar o ditado cada vez mais recepcionado do “quem não pode não se estabelece”. Uma definição do mercado apresentada como fórmula geral para ter êxito na vida. Cabe aos poderes instituídos exercerem constitucionalmente suas funções, afinal, para exercê-las, foram criados e, ao longo da história, estão sendo modernizados. Não é natural o quadro exposto. Este denuncia uma série de anomalias que precisam ser questionadas e enfrentadas.

 Maior se torna a responsabilidade dos gestores públicos em eventos como o da pandemia pelo novo coronavirus. A saúde púbica no Brasil e no Amazonas foi revelada em inúmeros aspectos para se constatar pelo sofrimento mais coletivo aquilo já denunciado por setores distintos e em testemunhos de pessoas vítimas do descaso. Ao mesmo tempo, está na rede pública a resposta mais ágil e mais ampliada para eventos que envolvem grandes acidentes, pandemias, epidemias.

Precarizada profundamente, o que se viu nos picos de contaminação e mortes pela covid-10, nas diferentes cidades, oferece muitas e valiosas referências. O quanto a rede pública de saúde, devidamente equipada, com profissionais qualificados e equipamentos em condição de operacionalização, pode fazer diariamente pequenos atos revolucionários que serão grandes para uma população cuja relação com o atendimento público na saúde tem é marcado pelo não é possível e ou longas esperas.

A cidade reativada se coloca, no modelo ora em funcionamento, como negadora da convivência mais saudável, de um aprendizado pela adoção de novas práticas. Com uma população com elevado porcentual de pessoas obesas, em todas as idades – o que vinha se apresentando em ritmo crescente nos últimos anos – gestores públicos deveriam considerar essa realidade como preocupante, pois, é na saúde que ela irá explodir. A inteligência administrativa poderia ter utilizado a quarentena para também apresentar uma proposta coletiva das diferenças instâncias governamentais para enfrentar a endemia da obesidade entre homens, mulheres, crianças, jovens e adolescentes.


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