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Editorial

A cidade e as marcas da gestão

20/01/2018 às 16:41
Show show centro manaus

O centro de Manaus após longo período de reformas pontuais permanece como abrigo de antigos problemas. Quanto ao disciplinamento para estacionar veículos pouca mudança, no geral, a sensação é de que nada mudou; a poluição visual pode ser facilmente detectada entre os muitos fios elétricos, plaquetas de informação e anúncios, e a ocupação da área de calçadas.

Na área portuária, acesso à cidade de turistas das temporadas de cruzeiros, a recepção é lamentável. A primeira vista, o quadro que os visitantes se deparam é o da grande confusão, amontados de caixas em todos os tamanhos, lixo, água servida escorrendo a céu aberto, e a inexistência de espaços aconchegantes que aproximem tanto a população moradora da cidade quanto os turistas daquilo que deveria ser trunfo dado pela natureza, a floresta. Excesso de concreto e escassez de vegetação e jardinagem que são o cartão de visita do Amazonas e da Amazônia ignorado pelos gestores públicos.

O que restou dos casarios sofre ataques permanentes quando deveria ser objeto de zelo e de ações de envolvimento do conjunto da sociedade, principalmente do setor empresarial que faz negócios nesses espaços. Faltam informações que poderiam ser colocadas como peças de degustação histórica em placas afixadas nos prédios tombados e, no conjunto, se constituiriam em atrativos para todos que chegam a Manaus e querem conhecer um pouco mais da história do lugar.

Há apagamento sistemático da história de Manaus e do Amazonas enraizado na política cultural por aqui desenvolvida e, todas as vezes que esse procedimento ganha força, ideias externas, por vezes incompatíveis com as identidades amazonenses a população perde, pois, a exportação dessas ideias costuma ter preço alto e, depois, constata-se que se transformou em monstrengos alienígenas.

Por outro lado, institucionalmente, prevalece o silêncio do pacto para não se indispor com autoridades tendo como saldo a fraca intervenção crítica das instituições de ensino e pesquisa que deveriam se envolver mais diretamente com as decisões que implicam na formação e reforma da feição da cidade. Se o centro de Manaus é um retrato de como se pensar e agir na cidade, pode-se imaginar como estão as áreas mais afastadas, a exceção daquelas destinadas aos mais abastados que embora mais cuidadas não escapam dos efeitos negativos desse tipo de gestão.