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Editorial

A ciência e a Amazônia

11/05/2018 às 23:19 - Atualizado em 11/05/2018 às 23:50
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A ciência pode ser um relevante instrumento para posicionar a Amazônia em sua importância global. Para isso, a própria ciência vem sendo desafiada e necessita acolher o que a complexidade amazônica oferece não como dificuldade e sim possibilidades.

O dilema de cientistas no trato com o mundo amazônico é antigo. E muitos dos arranjos científicos a partir de pensamentos de fora promoveram desastres principalmente aos povos amazônicos. Uma ciência afeita ao diálogo, ao se colocar cuidadosamente na posição de escuta e de compreensão possivelmente prestará enorme serviços não a Amazônia especificamente e sim ao Planeta Terra. Por essa postura, a ciência também promoverá os saberes da Amazônia a uma instância de valoração e não de atendimento piedoso ou, pior, de negá-lo porque não consegue ser tratado em parâmetros de racionalidade.

Mais que salvar a Amazônia, é a ciência que pode ser revitalizada e encontrar outros rumos se mais atenciosa as complexidades desta região. E se, nas suas divergências e escolhas metodológicas, políticas e de poder assumir o compromisso de enfrentar situações cientificas que vem a Amazônia como um bolsão de negócios externos em inúmeros campos da atual mercadológica.

Ampliar as oportunidades de estudo, de produção de conhecimentos e saberes aos povos da Amazônia, aprender a respeitar suas cosmologias e a conviver com elas na direção de aprendizado e inovação é demanda antiga para a ciência, os cientistas, as instituições de ensino e pesquisa. Mas também o é aos governos, ao empresariado e às organizações da sociedade civil. O que se verifica na atualidade são ações que afetam duramente os passos dados nessa direção, frutos de muitas lutas travadas há décadas e distanciamento dos diálogos entre as diferentes amazônias  e a Pan-amazônia.

Estudar a Amazônia em seus múltiplos significados ainda está longe dos ambientes da maioria das universidades inclusive as amazônicas. O tema é colocado sob a transversalidade que, na prática se revela na condição de coisa menor e se der tempo será incluída. Poucos cursos englobam as questões da Amazônia no cerne de suas atividades. Isso ocorre também por efeito de um entendimento anterior que disciplinou ao extremo as áreas e as impediu de atravessar as barreiras perpetuando uma noção de que somente alguns devem tratar de Amazônia. Mudar esse paradigma é desafio da nova ciência.