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Editorial

A crise e os setores intocáveis

26/05/2016 às 21:02
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Os setores de saúde e de educação devem sofrer impactos profundamente negativos em duas direções, nacional, a partir das propostas apresentadas pelo Governo Temer, e estadual, com os ajustes do Governo José Melo. Nos dois níveis, as decisões tomadas repetem uma conduta de recorrência do passado quando os apertos diante de dificuldades recaiam sobre aquelas áreas historicamente mais vulneráveis e vistas, pelo Executivo, como as que devem ser as primeiras a sofrer cortes de orçamento.

A cartilha do arrocho social está de volta enquanto outras medidas que poderiam reduzir o efeito da crise econômico-financeira não são acionadas como não foram. É possível reduzir sensivelmente o número de assessores e de uma série de benefícios mantidos para pequenos grupos de pessoas que exerceram funções administrativas e, hoje, sem cargos públicos, permanecem com assessores, motoristas, enfim uma série de benesses mantidas em função das relações grupais de poder. Ainda permanece nas organizações públicas a cultura do empreguismo que garante salário a pessoas que não trabalham sequer aparecem nos locais onde estão lotadas.

Há cargos criados para abrigar aliados e pagar dívidas de acordos de apoio eleitoral. A figura do cabide permanece viva e vasta na administração pública. Uma ação de vistoria responsável nesses itens pode revelar quantos milhões em reais são canalizados para fins que não têm nada a ver com os interesses públicos. Para isso é preciso determinação política e coragem de enfrentar as retaliações, o que torna quase improvável realizar essa tarefa. Ao final, repete-se o hábito do favor da lei aos amigos e o rigor delas aos inimigos, nesse caso, são tratados como inimigos amplos setores da população.

Os governos seguem uma linha muito semelhante que os fazem preservar as gorduras na máquina administrativa e apertar naquilo que se destina à sociedade. É o que se assiste agora no País a partir da lógica traçada pela equipe do governo de Michel Temer, e no Amazonas. Em ambos, as informações dadas não conseguem explicar com clareza as decisões tomadas. Repetem frases feitas e não respondem, com eficiência, o que a população quer saber nem apresentam, rigorosamente, as ações internas para cortar gastos supérfluos.