Terça-feira, 19 de Janeiro de 2021
Editorial

A defesa dos princípios democráticos já!


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09/01/2021 às 07:54

As consequências das condutas de um governante que ignora absolutamente os princípios da democracia estão sendo mostradas ao mundo. Donald Trump, eleito presidente da nação mais poderosa, encerra a passagem pela Presidência dos Estados Unidos da forma mais tosca, constrangedora, corresponsável por ataques e mortes. Pior, alimentando o ódio como maneira de convivência político e social nos EUA e na relação do País com outras nações do mundo.

Há relação direta entre a conduta do presidente Trump e a do presidente do Brasil, com influência do primeiro sobre o segundo que segue a cartilha do dirigente estadunidense e tenta submeter o País às regras dessa visão na condição de coadjuvante. A negação da legitimidade dos votos que derrotaram Donaldo Trump e afirmação de que no Brasil irá ocorrer por aqui cenas piores do que se viu no Capitólio, a sede do Congresso Norte-americano, se o voto impresso não for retomado. As eleições que deram vitórias ao candidato Jair Bolsonaro e aos seus filhos, em vários processos eleitorais, são resultado de um processo que vem sendo legitimado desde a adoção do sistema eletrônico de votação, em 1996.

O presidente Jair Bolsonaro tem ampliado o teor de suas falas e das ameaças ao sistema democrático nacional. Comporta-se mais como um militante de questões restritas do que como chefe de uma nação com mais de 212 milhões de pessoas. O posicionamento do presidente brasileiro não pode ser tratado com adjetivos e empurrado para o ‘deixa p’ra lá’, ‘é um inconsequente’, ‘é maluquice dele’... Os representantes das demais instituições têm o dever de zelar pelo legado democrático do Brasil e pelas conquistas realizadas em longos e traumáticos processos para que esta passasse a vigorar no País. A democracia norte-americana apresentada como um dos seus símbolos máximos, a partir da 1ª Emenda, acaba de ser ferida em profundidade e, ali, as reações dos parlamentares, inclusive os do partido de Trump, de empresários e de dirigentes de instituições foram de tomada de posição firme de condenação e cerceamento de ações do presidente dos EUA. 

Que o Brasil, habituado a mirar para os Estados Unidos como referência, tome providências desde já a fim de reafirmar, no conjunto das instituições nacionais, a defesa da democracia.   


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