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Editorial

A difícil tarefa da Suframa

15/06/2017 às 22:15 - Atualizado em 15/06/2017 às 22:17
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A Superintendência da Zona Franca de Manaus continua à deriva. O entendimento de uma governabilidade baseada no loteamento dos cargos públicos como recompensas por apoios dados a esse ou aquele governo danificou severamente as estruturas da administração pública de Brasília e de todo o País. A Suframa é parte dessa estrutura loteada e danificada. Pior, como agência de desenvolvimento regional enfrenta obstáculos cada vez maiores para fazer valer a atratividade do polo industrial e induzir outros mecanismos de suporte à economia da Amazônia Ocidental.

A circunstância da troca de comando na autarquia (exoneração da ex-deputada Rebecca Garcia, PP, e nomeação do engenheiro e advogado Appio da Silva Tolentino) está dentro do jogo de humor das negociações de poder. Enquanto as regras forem essas será praticamente impossível planejar e desenvolver uma política mais estável e firme para incrementar a indústria da ZFM. Ao contrário, gestores, corpo técnico e todos os servidores, o empresariado e os setores vinculados direta e indiretamente com o polo industrial de Manaus terão a convivência da instabilidade como referência.

O novo superintendente, bem recebido, fez um discurso de posse que aponta para algumas medidas importantes pelo menos na busca de manter um clima menos tenso nas relações da Suframa com os demais setores. Colocou o empresário como prioridade de sua gestão e deverá incluir em igual importância os trabalhadores, a outra base do polo e possivelmente a mais enraizada. Interessante ter chamado atenção para as parcerias pontuando as universidades e centros de pesquisa como instituições com as quais quer maior aproximação. A Suframa deve mesmo esforçar-se sempre para reduzir as distâncias construídas e consolidar um novo contrato de convivências com essas instituições, da mesma forma que tais instituições precisam se dispor, por natureza e dever de ofício, a viabilizar um novo perfil de convivência.

No plano mais geral, a situação da Suframa é delicada. Não recebe atenção devida das autoridades de Brasília; é comumente vista pelo paulicentrismo como agenciadora de negócios suspeitos e que por isso deve ser extinta; assumiu o papel vulnerável de moeda de troca nos acertos político-partidário; e tem enorme dificuldade de se revelar como uma agência de importância para o presente e o futuro mais próximo de alguns milhares de pessoas da parte Ocidental da Amazônia, principalmente do Amazonas.