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Editorial

A educação em questão

28/12/2017 às 21:05
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Um dos mais famosos aforismos atribuídos ao grande educador brasileiro Paulo Freire diz que o “fracasso da Educação Brasileira não é exatamente um fracasso, mas sim um projeto” para manter a maioria da população na indigência intelectual e, sequencialmente, cultural, garantindo assim aos detentores do poder um maior controle e uma maior permanência neste estado de dominação social.

Nada comprova com mais eficiência esse pensamento do nosso maior educador que a forma como os professores são tratados no Brasil, hoje uma carreira de risco e de remuneração irrisória.

Quanto a primeira característica podemos afirmar que em poucos países do mundo o profissional da educação é tão agredido quando nas salas de aulas brasileiras. Cresce a olhos vistos, em todos os municípios, agressões verbais, insultos e mesmo espancamentos, como ocorreu com uma professora catarinense que expôs, neste ano, o drama e as marcas no corpo da agressão perpetrada por um adolescente de 15 anos, aluno do ensino fundamental.

Em nossa cidade não é diferente e em quase todas as zonas há relatos de pressões psicológicas e ameaças diretas feitas contra professores que apenas exercem a missão de educar alunos moradores de verdadeiras zonas de guerras, que portanto sentem e refletem a violência em seus ambientes.

No que diz respeito a segunda característica - remuneração irrisória, ontem tivemos um bom exemplo de como deixar um profissional sem estímulo algum para exercer o seu míster. O governo federal anunciou, com alguma pompa e circunstância, o reajuste de 6,81% para o piso nacional dos professores, o que elevou a remuneração da maioria dos educadores brasileiros para  “estratósféricos” R$ 2.405,00 para uma carga de trabalho  de 40 horas semanais, ou seja trabalho em dois turnos.

Alguém pode dizer que é só isso que o Estado consegue pagar, mas veja por outro prisma: um cidadão vocacionado para o magistério tem de se submeter aos exames de praxe para alcançar a educação superior, passa quatro anos ralando nas salas de uma universidade - em alguns casos particulares e com mensalidades a pagar -, consegue o título, ai vai  estudar para fazer concurso, é aprovado, exige-se dele formação continuada - ir a mestrado e doutorado - e ao final paga-se a bagatela do piso nacional. Quem vai se interessar por uma carreira assim?