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Editorial

Falhas em ranking escolar fortalecem noção de que educação privada é a única saída

09/10/2016 às 11:47 - Atualizado em 09/10/2016 às 12:37
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Há um Brasil definido pela cultura do ranking. As classificações a partir de leitura linear dos números produzem tormentos, angústias sensações de fracassos e de êxitos de acordo com o manejo dos indicadores. A voracidade pelos números vem de fora a partir dos grandes agenciamentos feitos em torno de questões centrais para a humanidade – alimentação, moradia, água, educação, saúde, saneamento básico, violência de gênero...

Decisões mundializadas são tomadas em fóruns internacionais para elaborar recortes da situação da humanidade. E essas replicadas nos demais países, estados, municípios, distritos, vilarejos. A educação é uma das áreas mais trabalhadas nesse tipo de posicionamento. No caso brasileiro, a cada lista divulgada e disseminada pela mídia são estabelecidos, renovados ou desfeitos muitos negócios. É como um anúncio determinando o que presta e o que não presta. Nesse rolo compressor, a educação pública tem sido apresentada como o que não presta.

De fato existem problemas graves acumulados há décadas. E cotidianamente uma luta desigual e árdua é feita por milhares de educadores e de comunitários em defesa de educação pública que promova a formação de pessoas críticas, defensoras da liberdade e autônomas. Em meio as notas baixas, reprovações e desolações vivem histórias de sucesso que não são narradas com espaço e valorização devidos. Eis um dos aspectos danoso da cultura de rankeamento contaminada pela noção de mercado por sua vez ditador dos perfis de sucesso e de fraco humano.

No Brasil, a semana encerra-se com batalhas travadas em torno dos números selecionados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que deixou fora do ranking das melhores escolas do País, os institutos federais. A direção do Inep admitiu na quinta-feira o erro na pesquisa e informou que “assim que possível” divulgará os números. A atitude de reconhecer o erro é fruto de um movimento feito principalmente pelas redes sociais de professores e estudantes dos institutos federais que estranharam a exclusão e o veto a direito de saber quais notas receberam nessa avaliação.

Classificações desse tipo são um desserviço do governo à sociedade.  Os danos produzidos por falhas na metodologia de classificação fortalecem a noção de que a educação privada é a saída única e atuam para reforçar as propostas de reestruturação do ensino ora feitas por medida provisória do Governo Federal.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil