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Sim & Não

A eleição dos reencontros inesperados

16/06/2017 às 22:03 - Atualizado em 16/06/2017 às 22:05
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A corrida pela cadeira de governador-tampão provocou uma reviravolta e reencontros impensáveis na política amazonense. Amazonino Mendes (PDT) e o deputado estadual Bosco Saraiva (PSDB) reeditam a dobradinha de 2004, quando disputaram e perderam a eleição para a Prefeitura de Manaus. À época, o tucano foi abatido pela Operação Albatroz. O apoio a Eduardo Braga (PMDB) também fez os ex-comunistas Marcelo Ramos (PR) e Alessandra Campêlo (PMDB) abraçarem de novo Vanessa Grazziotin e Eron Bezerra.

Ex-rebelde   A reunião de comunistas no mesmo palaque, ontem, se deu oito anos depois de Marcelo Ramos, agora vice na chapa de Eduardo Braga, ter saído do PCdoB atirando contra o partido e o próprio Braga, então governador do Estado. A ida dele para o PSB foi parar na justiça. O ex-deputado depois trocou o PSB pelo PR, para ser candidato ano passado à Prefeitura de Manaus. 

Mutação Além dos reencontros, a atual campanha promoveu mudanças bruscas nos discursos. As críticas de Marcelo a Braga, por exemplo, não se restringiram apenas ao passado. Há 20 dias, ele disse a um site: “Quem está na Lava Jato e corre o risco de ser preso não pode submeter o AM a isso, porque acabou de ter um governador cassado”.

Imagem  Ao lançar Amazonino Mendes candidato ao governo, o PDT quis parecer modesto com os gastos da convenção e tratou logo de apontar para a estrutura montada pelo principal adversário do partido.

Recado  Ao dizer que o evento tinha mesmo a intenção de ser “simples, sem ostentação”, Amazonino aproveitou para cutucar Braga.  “Não tem ônibus aqui pra trazer vocês, não está escarnando o povo que está sofrendo desempregado para se fazer uma festa com demonstração de riqueza”.

Gigante  Digna de um show nacional, a estrutura montada pelo PMDB, a fim de anunciar Braga como solução “para tirar o Amazonas da UTI”, contou com palco e iluminação de primeira, e recebeu centenas de pessoas em ônibus alugados. Alguns vindos do interior.

Confusão  Apesar da ostentação, Braga usou um tom de humildade para convencer a população a voltar ao Palácio do Governo do Estado. Por duas vezes, em seu discurso, pediu desculpas à imprensa por um  incidente envolvendo  os seguranças da campanha dele e profissionais de comunicação.

Truculência  No empurra-empurra durante a chegada de Braga, Alfredo Nascimento e Marcelo Ramos à convenção, na quadra da escola de samba Unidos do Alvorada, câmeras e jornalistas que cobriam a convenção do PMDB quase apanham dos seguranças. Foram protegidos por assessores de imprensa.

Quimera  Aliados do governador David Almeida (PSD) ainda alimentam a esperança de vê-lo candidato ao governo por meio de uma eleição indireta. Aguardam para este fim de semana a decisão do ministro do STF, Ricardo Lewandowski, sobre a questão.

Combate   David Almeida recorreu a uma canção de Cazuza para justificar o apoio a Rebecca Garcia: “Se você achar que eu tô derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados. Porque o tempo, o tempo não para”, cantou. Ele  disse estar ciente de que será “triturado” pela decisão, mas afirmou estar preparado. “O baralho não está nas mãos deles”, disparou.