Sábado, 19 de Junho de 2021
Editorial

A enchente e os atos governamentais


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06/05/2021 às 07:20

A enchente e a vazante dos rios são parte do cotidiano do Amazonas, o que altera é a intensidade, mesmo assim uma série de sinais são emitidos.  O que acontece agora, com o agravamento das condições de vida, moradia e locomoção de milhares de família, em decorrência do avanço das águas em direção à terra firme, às habitações, é resultado, em parte, da pouca importância que os governos dão às sinalizações das águas.

Não é a primeira vez que o município de Anamã, a 165 quilômetros de Manaus, fica submerso e, talvez, não seja a última. Passado o evento da enchente do rio e das consequências para a população, a tendência tem sido de acomodar as tensões produzidas. Prefeitura, governo do Estado e representantes organizadas da sociedade, do setor empresarial e das instituições poderiam e podem tomar providências prévias, utilizando tecnologias que ajudem a minimizar e a prevenir prejuízos com a subida das águas. Falta pensar a cidade antes e depois.

O mesmo vale para Manaus e outros municípios que já em dificuldades geradas pela pandemia da Covid-19, nesse momento, sofrem com a invasão das águas. Em alguns casos, o quadro é desesperador para muitos moradores.  A ajuda, como a construção de pontes e de tablados sobrepostos, chega tarde e tem caráter paliativo, o que se escancara é o distanciamento histórico dos governos com planejamento que possibilitem a atuação preventiva. A velha lógica permanece: deixar acontecer para depois agir.

O ciclo de enchente ora mais tranquilo ora mais intenso poderia ser utilizado na perspectiva de realizar outras experiências monitoradas adequadamente por equipes multiáreas dos governos, em parceria estendida com as comunidades. Já passou da hora de colocar a tecnologia a serviço dessa questão e do agir de forma competente na relação com as águas dos rios do Amazonas e da Amazônia.

Os danos provocados só são maiores exatamente porque são existe trabalho preventivo a longo prazo e sequer os sinais emitidos pela Natureza são recepcionados. O modelo vigente de lidar com o movimento anual das águas dos rios, por parte dos governos, insiste na ocorrência da calamidade para tomar providência episódicas. De fato, o que ocorre parece confirmar que não há vontade governamental para fazer diferente.


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