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Editorial

À espera de melhores serviços

23/02/2018 às 22:10
Show manaus ambiental

Uma concessão pública tão importante como os serviços de água e saneamento - relacionados diretamente à saúde das pessoas - deve ser discutida com extrema cautela, considerando vários critérios. Não é o que ocorre em Manaus, onde a concessionária muda de mãos da noite para o dia. A venda em si não constitui ilegalidade. A Manaus Ambiental é uma empresa privada e seus controladores têm o direito de vendê-la segundo sua própria conveniência. Porém, seria de bom tom por parte da Prefeitura de Manaus, enquanto poder concedente, garantir a participação da sociedade na elaboração das metas a serem perseguidas pelos novos donos da concessionária.

Principalmente porque Manaus padece há várias décadas de problemas crônicos de saneamento, ocupando a vergonhosa quinta posição entre as capitais com piores serviços de coleta e tratamento de esgoto. A troca de donos na Manaus Ambiental não deixa de ser uma oportunidade para exigir da  nova proprietária, a Aegea, uma gestão de portas abertas para os anseios da população manauara. Não tem sido essa a postura das diversas configurações empresariais que assumiram o serviço de água e saneamento em Manaus desde a privatização de parte da Cosama em 2000. Já se passaram 18 anos e o serviço vem sendo repassado de mão em mão no setor privado sem que velhos problemas sejam finalmente resolvidos. A promessa da privatização é sempre essa: tornar a empresa mais ágil, livre das amarras da burocracia do setor público, de modo a oferecer o serviço com máxima eficiência para garantir a satisfação do consumidor final e lucros para a operação. Os lucros são sempre certos, enquanto a satisfação dos clientes fica em segundo plano.

Ainda hoje, muitas comunidades na periferia da capital são abastecidas por sistemas alternativos de captação e distribuição; e  menos de 10% da população de Manaus conta com serviço de coleta e tratamento de esgoto. Isso sem falar nos igarapés de Manaus que ainda são usados como esgotos a céu aberto. Esses são alguns desafios que precisam ser enfrentados pela Manaus Ambiental, agora sob novo comando. O novo controlador tem a obrigação de estabelecer, com participação social, as novas diretrizes da gestão. A concessão do serviço de água e esgoto em Manaus precisa parar de ser apenas um negócio lucrativo para empresas.