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Editorial

À espera de uma explicação

28/03/2017 às 21:41
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Diante das recentes denúncias envolvendo empresas que operam o transporte coletivo em Manaus, o mínimo que se espera é uma investigação por parte da Superintendência Municipal de Transporte Urbano (SMTU) para apurar se as empresas estariam, de fato, desviando combustível comprado com isenção fiscal para venda em postos da cidade. Mais que isso: as evidências levantadas pelo vereador Marcelo Serafim precisam ser levadas ao Ministério Público para uma apuração isenta. Se a prática for comprovada, estará configurado um crime absurdo contra o povo de Manaus. Vale lembrar que a razão de ser da desoneração é garantir um serviço de qualidade por um preço menor ao usuário. Para isso, o poder público abre mão de parte dos recursos que seriam gerados pelo imposto recolhido sobre a venda dos combustíveis, dinheiro que deixa de ser aplicado em saúde, educação e  infraestrutura para Manaus.

As empresas precisam explicar imediatamente por que o consumo de combustível pela frota de ônibus caiu 600 mil litros no mês de fevereiro. Houve redução de ônibus nas ruas? Se houve, por que isso foi feito? Se não houve, para onde ia o combustível excedente nos meses anteriores? A própria Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) reconhece que os números indicam desvios. É claro que não se pode fazer julgamentos precipitados, mas a cidade precisa, urgentemente, de uma boa explicação por parte das empresas de ônibus.

Os parlamentares na Câmara Municipal, tanto apoiadores como opositores do prefeito, têm o dever de priorizar o bem comum, os interesses do povo de Manaus e contribuir de forma positiva para o esclarecimento dos fatos, independentemente de ligações partidárias. E se for confirmado o crime, que todos os envolvidos sejam punidos, inclusive, no que diz respeito às empresas, com perda da outorga para operar na cidade.

Há muito tempo os manauaras sofrem com um sistema de transporte que chega a ser insalubre, com veículos superlotados, mal conservados, que quebram com frequência, tendo que pagar uma tarifa que não corresponde à qualidade do serviço, apesar das desonerações disponibilizadas pelo poder público. Já passou da hora de saber o que realmente se passa nesse sistema. Aparentemente, os únicos satisfeitos com a situação atual são as próprias empresas, tanto que são as mesmas operando o sistema há décadas.