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Editorial

A estrada da vez

16/09/2016 às 21:41
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Um grupo temático de servidores públicos está às voltas com uma das maiores “cabeças de burro” já enterradas no Estado do Amazonas. Trata-se agora de elaborar o “Plano de desenvolvimento territorial da área de influência da BR-319”, a rodovia cuja recuperação é tema de debates há mais de dez anos, quando no governo Lula a União a colocou como uma das obras do Plano de Aceleração do Crescimento.

A decisão do então presidente, amparada no desejo do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, esbarrou nos órgãos ambientais e de controle, que não liberaram as devidas licenças e travaram o que era uma decisão política, transformando a recuperação da rodovia que liga Manaus a Porto Velho em um ponto de honra para ambientalistas de todas as matizes. O resultado é que havia dinheiro, havia determinação, vontade política, mas não havia as licensas.

No início a questão era a falta de estudos e relatórios de impactos ambientais (Eia-Rima). Num segundo momento a Universidade Federal do Amazonas entrou na história e elaborou o necessário Eia-Rima, um trabalho que foi recusado reiteradas vezes pelos técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Num outro momento, ainda com dinheiro em caixa,  ainda com vontade politica, a União trouxe a baila a história de transforma-la numa estrada parque, com uma série de limitações ao uso. Mesmo assim as licenças foram negadas. Em uma solução alternativa, algum gênio da floresta sugeriu que os 400 quilômetros do “meião” da estrada fosse uma ferrovia, como se a Madeira-Mamoré já não tenha sido o que foi.

O grupo atual quer desenvolver políticas de curto, médio e longo prazos para ao final a rodovia possa ser asfaltada novamente, o que já foi na década de 80, embora um certo amazonense tenha dito numa das primeiras audiências sobre o caso que a estrada nunca ficou pronta e com esse discurso subsidiou por anos o discurso dos que são contra a recuperação da estrada que nós garantirá acesso ao resto do Brasil e pela qual mercadorias poderão chegar a capital amazonense por um preço mais barato, com a recíproca sendo igualmente verdadeira em relação aos produtos feitos no nosso Distrito Industrial.