Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
Editorial

A exclusão na política educacional


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12/11/2019 às 06:58

Em meio as crises agudas geradas pelas disputas de poder no Brasil, as áreas de Educação e Saúde, situadas na compreensão mais geral como segmentos de relevância, estão impactadas pelos cortes e participação gradativa do setor privado o que eleva preços e diminui a possibilidade de ampliar a participação dos setores economicamente mais pobres. A esses fatores soma-se a instabilidade no cotidiano das pessoas que atuam e daquelas que necessitam do bom funcionamento da Saúde e da Educação.

O mapa das formas de exclusão de brasileiros nessas áreas oferece linhas fortes na atualidade quando os indicadores econômicos e sociais apontam para o agravamento da pobreza e maior número de famílias vivendo em situação de miséria. Os dados apresentam agravantes nas regiões que historicamente foram submetidas a planos de governos que apostavam no subdesenvolvimento dentro da lógica de ter áreas de concentração de riqueza e de oportunidades e imensos territórios destinados a subvida.

Quando a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) anuncia que chegou ao milésimo doutor do quadro efetivo, o que acaba de ocorrer, se tem uma medida do tamanho da exclusão praticada contra regiões do Brasil, como o Nordeste e o Norte. É para festejar muito o alcance na política institucional da pós-graduação da UFAM e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), porque se segue em frente e se insiste no abrir portas. E é para analisar o fato. Não se trata de incapacidade para a pós-graduação na Amazônia avançar, e sim de uma política nacional que relegou a região a segundo plano e deixou mantendo a ideia de que na Amazônia todos humanos e os não humanos deve ser apenas objeto de pesquisa jamais produtores de conhecimento.

Esse retrato é parte dos efeitos das disputas político-governamental no plano nacional de desenvolvimento. A pós-graduação enquanto espaço institucionalizado nas universidades da Amazônia é muito nova e sofre com os ataques permanentes que insistem em destitui-la legitimando a assimetria no julgamento dos resultados. Para amazônidas e nordestinos ingressar na pós-graduação (mestrado e doutorado) é uma aventura que sai do percurso. O que deveria ser prática normal ainda está no patamar da anormalidade, da filtragem muito apertada que deixa centenas de projetos de pesquisas e de estudantes a eles vinculados sem chance de seguir em frente.  A oportunidade natural em outras regiões inexiste na Amazônia e na maioria dos Estados do Nordeste.
 
 


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