Publicidade
Editorial

A expressão de um Estado omisso

13/07/2016 às 22:54 - Atualizado em 13/07/2016 às 22:56
Show fsdfsf

O Estado brasileiro ao longo da história optou por dizimar os povos indígenas. Foram décadas e décadas de extermínio e, em contraponto, de resistências desses povos para ter assegurado o direito de viver. A Constituição de 1988 passou a ser recepcionada como um marco na história do País e na dos indígenas. O entendimento era que uma nova página começava a ser escrita, revendo os erros e os crimes cometidos e inaugurando uma etapa de inserção efetiva dos indígenas na vida nacional.

Não é o que ocorre. Se as lutas dos indígenas asseguraram a demarcação das terras que equivalem à vida para esses povos, inauguraram interlocuções e ajudaram a discutir a noção de democracia aplicada no Brasil, o que se verifica na atualidade é o avanço de medidas que confrontam com esses espaços de conquista e põem por terra direitos adquiridos. 

A pressão de outros setores cuja proposta de desenvolvimento não prospera se não forem retirados os indígenas das terras, se não liberadas essas terras à exploração dos recursos e à implantação de outros projetos está a pleno vapor. E tem, no Congresso Nacional, maior receptividade. É a falta completa de equilíbrio na discussão desses projetos e de como eles impactam a formação contemporânea do Brasil que deve ser vista e avaliada pelo conjunto da sociedade e dos órgãos que têm o dever de vigiar e defender os interesses públicos e das populações mais vulneráveis.

A marcha dos povos indígenas realizada nesta quarta-feira (13) em várias cidades brasileiras é um chamamento para que o Estado brasileiro seja reunificado e seus representantes possam tomar medidas historicamente mais justas e reparadoras. A dívida do Estado e do Governo para com os povos indígenas é alta e se acumula. Retroceder, como propõem parlamentares vinculados a determinados interesses de mercado, é dizer sim aos massacres dos indígenas e das culturas que formam o povo brasileiro; é dizer sim ao recrudescimento da violência contra os índios; e é a reafirmação do Estado quanto à condição de povos anexados e não parte de fato da sociedade brasileira; é também uma forma de incentivar os assassinatos dos índios, como ora ocorre em Mato Grosso, e a impunidade. 

Foto: José Rodrigue/Colaborador